Atualmente, tramitam no Congresso Nacional diversas propostas legislativas que visam reduzir a jornada de trabalho no Brasil, hoje limitada a 44 horas semanais. As propostas variam em magnitude sugerindo reduções para 40 ou 36 horas semanais, prevendo desde mudanças imediatas ou transições graduais. Na Paraíba, por exemplo, caso aprovada e sancionada PEC 8/2025 os municípios terão um impacto financeiro de R$ 1.255.107.944 nos cofres públicos com a contratação de mais 26.065 servidores.
Com a PEC 148/2015, os municípios paraibanos terão um impacto de R$ 1.203.136.014 nos na contratação de 24.987 novos servidores para garantir o atendimento à população. Já com a PEC 221/2019 o impacto financeiro é de R$ 1.201.647.040 com a contratação de 24.956. O PL 1838/2026 tem o menor impacto, com R$ 27.672 e apenas a contratação de um servidor. Os dados são do levantamento realizado pela Confederação Nacional de Municípios (CNM).
O levantamento mostra que dentro da administração pública, a alteração da jornada de trabalho terá os maiores reflexos nos Entes locais, uma vez que atualmente 60% do funcionalismo público do país se encontra nos municípios. Diferentemente do setor privado, a gestão pública local lida com uma estrutura rígida: 63% dos servidores municipais são estatutários, ou seja, regidos por Regime Jurídico Único. Essa predominância estatutária limita a flexibilidade da gestão em ajustes contratuais e impõe maiores desafios.
Para a CNM, a redução da carga horária, a depender da magnitude, poderá alterar a oferta de serviços públicos prestados para a própria população: o efeito imediato da medida pode, por exemplo, reduzir a quantidade de atendimentos nos postos de saúde e aumentar as filas para acolhimento da população vulnerável.
A Confederação acredita que a solução da gestão para reequilibrar essa balança passará por várias frentes, desde a reorganização da escala de trabalho, a reposição de mão-de-obra para normalização dos serviços até a ampliação da digitalização das atividades que seriam recompostas no mercado de trabalho.
A Federação das Associações de Municípios da Paraíba (Famup) acompanha com atenção as discussões no Congresso Nacional sobre as Propostas de Emenda à Constituição que tratam da redução da jornada de trabalho no Brasil. Embora reconheça a importância do debate sobre a valorização do trabalhador e a busca por melhores condições laborais, a entidade alerta para os impactos financeiros e operacionais que as medidas poderão causar aos municípios paraibanos.
De acordo com a Famup, os municípios são os Entes federativos que mais empregam no serviço público e já enfrentam grandes desafios financeiros para assegurar áreas fundamentais como saúde, educação e assistência social. Nesse cenário, qualquer alteração na jornada de trabalho precisa considerar a realidade fiscal das administrações municipais, especialmente dos pequenos municípios, que possuem menor capacidade de arrecadação e dependem fortemente das transferências constitucionais.
A entidade reforça ainda que uma eventual redução da carga horária, sem a correspondente compensação financeira ou planejamento adequado, poderá comprometer diretamente a oferta de serviços à população, provocando redução de atendimentos, aumento de filas e dificuldades na continuidade das políticas públicas.
A Famup defende que o debate seja conduzido com responsabilidade, equilíbrio e diálogo federativo, garantindo que qualquer mudança preserve a sustentabilidade financeira dos municípios e a qualidade dos serviços prestados à população paraibana. A entidade seguirá acompanhando as discussões no Congresso Nacional e atuando em defesa dos interesses dos municípios.








