Nos primeiros dias à frente da Prefeitura de João Pessoa, Leo Bezerra escolheu um gesto com peso político e institucional: chamou os vereadores para o gabinete e abriu uma agenda direta com o Legislativo. A reunião aconteceu na manhã desta quarta-feira, 8 de abril, no Centro Administrativo Municipal, em Água Fria, e reuniu parlamentares de situação e oposição para discutir pautas da cidade e a relação entre os dois poderes. O convite havia sido feito a toda a Casa, sem distinção de bancada.
O movimento tem significado porque não foi casual. Antes do encontro com os vereadores, Leo já havia reunido o secretariado e feito cobranças por resultados, especialmente em relação ao andamento de obras e à resposta da gestão às demandas da cidade. Ou seja: o prefeito abriu a semana olhando para dentro da máquina e, logo depois, voltou-se para fora, em direção ao parlamento — um desenho que combina gestão e articulação.
Na prática, a reunião desta quarta funcionou como um recado de método. Leo, que já foi vereador da capital, chama todos para governar João Pessoa, quer governar com escuta política e ponte aberta com a Câmara, inclusive com quem está fora da base. Na véspera do encontro, o líder governista Odon Bezerra já havia tratado a iniciativa como um gesto de “democracia e diálogo”, e a presença de nomes de diferentes campos ajudou a reforçar essa leitura.
Estiveram presentes Odon Bezerra, Marcos Vinícius, Durval Ferreira, Marco Bandeira, Toinho Pé de Aço, Damásio, Raoni, Ícaro Chaves, Wamberto Ulisses, Rômulo Dantas, Bosquinho, João Coruja, Luiz da Padaria, Kleber Geraldo, Mikika Leitão, Guguinha Moov, Milanez Neto, Zezinho do Botafogo, Fábio Carneiro, Tarcísio Jardim, Marco Henrique e Carlão Pelo Bem. Entre as ausências registradas, Jailma e Fábio Lopes informaram compromissos prévios, Elisa estava em sessão especial, Dinho se encontrava no interior e Chico do Sindicato não compareceu por estar internado.
O dado político mais relevante talvez esteja menos na lista de presenças e mais no simbolismo da cena: um prefeito recém-empossado, em meio a chuvas, obras, pressão administrativa e início de mandato, optando por ouvir o parlamento antes de se fechar no gabinete. Isso não elimina tensões nem apaga cobranças, mas reduz ruído e organiza a largada. Em João Pessoa, onde Executivo e Legislativo convivem diariamente com demandas de rua, pavimentação, drenagem, obras e serviços, abrir o canal logo no começo tem valor prático e também valor político.
No fim, a reunião desta quarta deixa uma imagem clara: Leo Bezerra tenta começar o mandato com a política na mesa, não no corredor. E, para um gestor que conhece por dentro a lógica da Câmara, esse primeiro movimento ajuda a mostrar como ele pretende conduzir a Prefeitura: com cobrança interna, presença externa e interlocução permanente com quem também sente, na ponta, a pressão da cidade.
Por: Napoleão Sores









