O Senado derrotou o presidente Lula pelos piores motivos. Antecipou uma guerra política, deixou isso contaminar decisão institucional e cedeu a um presidente do Senado com interesses particularíssimos.
Por outro lado, Lula escolheu mal seu candidato. Havia um clamor pela indicação de uma mulher e há um número grande de juristas que ele poderia ter escolhido. O STF precisa de diversidade, não pode ser um clube de homens brancos, com apenas uma solitária mulher que em três anos atingirá a idade limite.
O ministro Jorge Messias não é conhecido por um saber jurídico de particular destaque, ao contrário do ministro Flávio Dino. Messias repete o caminho da escolha pessoal por lealdade, acima de quaisquer outros atributos. E neste caso, Lula repetiu o que já havia feito com Cristiano Zanin, seu advogado pessoal. Zanin foi aprovado, mas Lula ficou sem margem para escolher outro ministro com o mesmíssimo perfil.
Ao anunciar o nome de Messias, em novembro passado, faltou a Lula o que ele já demonstrou ter de sobra, habilidade política. O presidente do Senado, Davi Alcolumbre, estava querendo ir além das suas prerrogativas. Queria ele mesmo fazer o novo ministro. Por isso, defendia o nome de Rodrigo Pacheco. Lula ao anunciar Jorge Messias não teve o cuidado natural de comunicar antes a Alcolumbre. Isso não justifica evidentemente seis meses de pirraça do presidente do Senado, com destaque para não ter sequer recebido Messias em seu gabinete depois de ele ter sido aprovado na Comissão de Constituição e Justiça.
Como isso nunca aconteceu antes, é difícil saber os desdobramentos. Ainda ressoa nos ouvidos do país a frase de Alcolumbre, avisando que a matéria será levada ao arquivo e comunicada à presidência da República.
O bolsonarismo evidentemente comemorou essa derrota, mas isso não traz qualquer indicação do resultado desta eleição. A disputa que começou oficialmente nesta quarta, 29 de abril, tem seis meses pela frente. E quem vota é o país, e não alguns senadores encastelados em seus próprios interesses e conchavos.
O Globo









