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Home Guerra

Entenda como os EUA desativam minas navais no Estreito de Ormuz

Napoleão Soares Por Napoleão Soares
13/04/2026
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Entenda como os EUA desativam minas navais no Estreito de Ormuz

O bloqueio dos Estados Unidos ao Estreito de Ormuz, iniciado nesta segunda-feira (13), tem, entre outros objetivos, a localização e desativação de minas navais deixadas pelo Irã na região, conforme explicou Diego Pavão, editor de assuntos internacionais da CNN Brasil.

Segundo Pavão, enquanto o foco inicial do bloqueio americano está nos portos iranianos para impedir a entrada e saída de navios com petróleo, estrangulando economicamente o país, há também uma preocupação crítica com as minas navais espalhadas pelo estreito.

“Esse bloqueio também tem um papel, um objetivo, na verdade, de deixar o estreito mais livre para que os americanos consigam tirar aquelas minas navais que foram deixadas pelo Irã”, explicou. As minas representam “o grande pesadelo hoje das companhias de seguro e das companhias que operam os navios no estreito de Ormuz”, acrescentou.

O especialista destacou que mesmo com garantias dos Estados Unidos sobre a segurança na região, o problema persiste devido à incerteza sobre a localização exata das minas. “Os Estados Unidos até podem falar, olha, o Irã não vai atacar vocês, podem passar. Mas o problema são as minas, que são deixadas ali, sem saber exatamente onde elas estão”, afirmou.

Processo de localização e desativação

Para desativar os explosivos, o primeiro passo é encontrá-los na superfície ou no fundo do mar. Para isso, os Estados Unidos contam com helicópteros MH-60 Sierra, equipados com um sistema chamado de ALMDS (Sistema Aéreo de Detecção de Minas por Laser, em tradução livre). São feixes de laser capazes de identificar, a uma baixa altitude, onde estão as minas que flutuam na água.

Para os explosivos que estão no fundo do mar, a Marinha dispõe de veículos subaquáticos não tripulados (UUVs). Usando sensores e sonares, eles fazem uma varredura abaixo da superfície e podem transmitir dados em tempo real sobre os explosivos.

Todas essas informações coletadas por helicópteros ou por esses drones subaquáticos são transmitidas a um navio de guerra americano a quilômetros de distância. Nessa embarcação, especialistas analisam os dados, criam um mapa de onde as minas estão localizadas e, a partir disso, podem definir a melhor estratégia sobre como serão os métodos de destruição, a depender do tipo de detonação do explosivo.

Muitas minas usadas pelo Irã são do tipo acústico, isto é, explodem ao registrarem ruídos em uma determinada frequência característica do barulho de motores ou hélices de navios.

Para esse método de explosão, os Estados Unidos têm dispositivos a bordo de navios e helicópteros militares que conseguem replicar essa mesma frequência sonora, criando uma espécie de “gatilho simulado”. Com isso, as bombas são detonadas e desativadas a distância e de forma controlada, sem atingir embarcações, nem provocar danos ou mortes.

Já para as minas abaixo da superfície do mar e que detonam por contato, a neutralização acontece com o uso de outros veículos subaquáticos não tripulados, mas que são considerados “descartáveis” porque também acabam destruídos na detonação. O modelo atualmente em uso é o Archerfish, desenvolvido pela empresa BAE Systems.

O dispositivo é capaz de acionar sua própria carga explosiva, eliminando, assim, a mina naval.

Para as minas ancoradas no leito marítimo, navios de guerra americanos operam longos cabos submarinos capazes de cortar as correntes que prendem os explosivos na água.

De acordo com Pavão, as minas navais foram a forma que o Irã encontrou para bloquear a passagem pelo Estreito de Ormuz, uma solução considerada “simples e barata” para impedir o tráfego marítimo na região. O estreito tem aproximadamente 30 quilômetros de largura em seu ponto mais estreito e representa uma rota crucial para o comércio global de petróleo.

 

Cnnbrasil.com.br

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