Há leis que representam apenas um ato administrativo. Outras carregam décadas de história, identidade e compromisso. A sanção da lei que cooficializa a Língua Tupi Potiguara e a Língua Indígena Potiguara de Sinais no município de Rio Tinto pertence à segunda categoria. Mais do que uma assinatura no Diário Oficial, ela simboliza uma trajetória construída ao lado do povo Potiguara.
Para a prefeita Magna Gerbasi, essa não é uma pauta recente nem uma bandeira assumida por conveniência. É parte da sua própria história de vida.
Nascida na Aldeia Monte-Mor, Magna cresceu cercada pela riqueza da cultura indígena. Desde a infância, conviveu com famílias, lideranças e personagens que ajudaram a preservar a memória do povo Potiguara. Ela relembra com carinho as conversas e ensinamentos de Dona Antônia Grande, Zifina, Dina Teta e de tantos outros que fizeram parte da sua formação humana e fortaleceram seu sentimento de pertencimento às aldeias.
Esse vínculo afetivo transformou-se, ao longo dos anos, em compromisso público.
Muito antes de assumir a Prefeitura de Rio Tinto, Magna já caminhava ao lado das comunidades indígenas e, quando chegou ao cargo de prefeita, fez desse compromisso uma política permanente de governo. Ainda na época do cacique Valdo, esteve presente nas principais lutas do povo Potiguara, apoiando reivindicações históricas e defendendo o reconhecimento dos direitos das comunidades.
Um dos marcos dessa trajetória foi o reconhecimento, por parte do Município de Rio Tinto, de que a antiga Vila Regina constitui uma aldeia indígena. A iniciativa foi fundamental para subsidiar o Governo do Estado e o Ministério da Justiça no processo que culminou com a homologação das terras indígenas de Monte-Mor, um passo histórico para a garantia dos direitos territoriais do povo Potiguara.
Ao longo desse percurso, a gestão de Magna também assegurou apoio às caravanas que representaram Rio Tinto no Acampamento Terra Livre, em Brasília, reconhecendo a importância da participação indígena nos espaços nacionais de discussão e defesa dos direitos dos povos originários.
O compromisso também se materializou em investimentos concretos nas aldeias. A gestão foi responsável pela construção do primeiro Polo de Saúde Indígena do município e da Oca da Aldeia Jaraguá, equipamentos que fortaleceram tanto a assistência quanto a valorização da cultura tradicional. Diversas ruas das aldeias receberam pavimentação, escolas municipais continuam sendo mantidas e fortalecidas, novas estruturas de saúde foram implantadas e, pela primeira vez, uma ambulância foi colocada à disposição da comunidade de Monte-Mor para garantir atendimento mais rápido e digno à população indígena.
São ações que demonstram que o respeito aos povos originários não pode se limitar ao discurso. Ele precisa estar presente no orçamento público, nas obras, na saúde, na educação e na valorização da cultura.
É justamente por esse histórico que a sanção da lei que reconhece oficialmente a Língua Tupi Potiguara e a Língua Indígena Potiguara de Sinais possui um significado ainda maior. Ao garantir que os estudantes da rede municipal tenham acesso ao conhecimento da língua e da cultura indígena, Rio Tinto reafirma sua identidade como um município profundamente ligado à história do povo Potiguara.
“Nasci em Monte-Mor e cresci convivendo com a riqueza da cultura do nosso povo Potiguara. Carrego comigo as lembranças, os ensinamentos e o respeito por quem dedicou a vida à preservação dessa história. Por isso, sancionar esta lei é um ato que nasce do coração, mas também da responsabilidade que tenho como prefeita. Valorizar a língua é preservar a identidade, fortalecer nossa história e garantir que as futuras gerações conheçam e respeitem a cultura dos povos originários que ajudaram a construir Rio Tinto. Esse é um compromisso que assumo com orgulho e que faz parte da minha trajetória de vida”, destaca Magna Gerbasi.
Ao sancionar essa legislação, a prefeita não inaugura uma relação com o povo Potiguara. Apenas escreve mais um capítulo de uma história construída desde a infância, fortalecida ao longo da vida pública e marcada por ações concretas em favor das aldeias de Rio Tinto.
Mais do que reconhecer uma língua, Rio Tinto reconhece sua própria origem. E, ao fazê-lo, reafirma que preservar a cultura indígena é preservar a identidade de todo o município.
Assessoria







