Em Princesa Isabel, o calendário político avançou, mas as contas de 2023 ainda cobram respostas. O Tribunal de Contas do Estado da Paraíba (TCE-PB) emitiu parecer desfavorável à aprovação da prestação de contas do município referente ao exercício financeiro de 2023, período em que a Prefeitura era comandada por Ricardo Pereira do Nascimento.
O resultado representa um revés administrativo para o ex-prefeito e inevitavelmente produz repercussões no cenário político local. Entretanto, antes de transformar o julgamento em sentença eleitoral, existe uma pergunta que precisa ser respondida com documentos:
O que pesou contra a gestão?
A resposta estará no inteiro teor do voto do relator, do parecer ministerial e do acórdão. São esses documentos que permitirão identificar quais irregularidades apontadas pela Auditoria permaneceram após a defesa, quais justificativas foram rejeitadas e se houve aplicação de multa, imputação de débito, recomendações ou outras determinações.
Sem essa documentação, qualquer tentativa de antecipar detalhes corre o risco de trocar informação técnica por especulação política. O parecer contrário é um fato relevante, mas sua dimensão jurídica somente poderá ser avaliada quando forem conhecidos os fundamentos adotados pelo Tribunal.
A decisão ainda passará pela Câmara
Também é necessário fazer uma distinção importante. Nas contas anuais de governo dos prefeitos, o TCE-PB emite um parecer prévio que servirá de base para o julgamento político-administrativo da Câmara Municipal.
A manifestação do Tribunal, portanto, não significa automaticamente condenação definitiva ou inelegibilidade de Ricardo Pereira. Possíveis consequências eleitorais dependem da natureza das irregularidades, do julgamento pelo Legislativo municipal, de eventuais recursos e da aplicação da legislação ao caso concreto.
No campo político, porém, o efeito é imediato. O resultado abre um novo debate sobre a condução financeira do município em 2023 e oferece argumentos aos adversários do ex-prefeito. Para Ricardo, o desafio será apresentar sua versão, esclarecer os pontos questionados e explicar à população os motivos que levaram ao parecer desfavorável.
O espaço permanece aberto para que Ricardo Pereira e sua defesa se manifestem, apresentem esclarecimentos e informem quais providências jurídicas serão adotadas. A reportagem atualizará a matéria após a publicação integral da decisão.
Em uma cidade onde a política costuma ser intensa, o julgamento das contas de 2023 acrescenta um novo capítulo ao debate. Mas, desta vez, a palavra decisiva não virá dos palanques: virá dos documentos.









