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Zema defende retaliação aos EUA por tarifaço, ‘mudança profunda’ no Judiciário e modelo de segurança inspirado em Bukele

Ex-governador mineiro também subiu o tom contra a reação de Lula ao tarifaço e sugeriu a privatização de estatais como a Petrobrás

Napoleão Soares Por Napoleão Soares
06/08/2026
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Zema defende retaliação aos EUA por tarifaço, ‘mudança profunda’ no Judiciário e modelo de segurança inspirado em Bukele

Presidenciável do Novo, Romeu Zema defendeu nesta quinta-feira uma retaliação aos Estados Unidos por causa do tarifaço e chamou o presidente Donald Trump de “fanfarrão”. O ex-governador de Minas Gerais também disse ser favorável a uma “mudança profunda no Judiciário” e afirmou que o país vive um “regime de exceção”. Ele sugeriu ainda a implementação de um modelo de segurança pública baseado no sistema criado pelo presidente Nayib Bukele em El Salvador, alvo de questionamentos por violações dos direitos humanos.

Em sabatina realizada pela GloboNews e pelo g1, Zema subiu o tom contra o governo Lula pela reação ao novo tarifaço imposto pelos Estados Unidos a produtos brasileiros e afirmou que, caso eleito, buscará diálogo com o governo americano, mas consideraria aplicar sanções em resposta às taxas aplicadas.

— Certamente (iria retaliar). Naquilo que estiver ao nosso alcance, eu vou falar: “Não, pera aí. Vocês têm tanta facilidade aqui, não é desse jeito que a coisa funciona, não. Tudo tem limites”. Agora, nós temos que lembrar que nós temos lá nos Estados Unidos um presidente imprevisível e um tanto quanto fanfarrão. Que é uma pessoa que está causando turbulências em boa parte do mundo e que, em breve, provavelmente, não estará lá mais.

Assim como os bolsonaristas, o presidenciável do Novo centrou fogo no Supremo Tribunal Federal (STF) e defendeu uma “reforma profunda” no Judiciário. Ele classificou a rejeição pelo Senado da indicação de Jorge Messias para a Corte como “o primeiro vento da próxima tempestade”.

O ex-governador também afirmou que o país vive “um regime de exceção” ao criticar a denúncia apresentada contra ele pela Procuradoria-Geral da República (PGR) por um vídeo publicado com críticas ao ministro Gilmar Mendes, do STF. No conteúdo, Zema ironizou o magistrado ao representá-lo como um fantoche que pedia “uma diária no resort Tayayá” em troca da anulação dos pedidos de quebra de sigilo de familiares do ministro Dias Toffoli.

Na entrevista, o ex-governador Zema também afirmou que defende a mudança dos critérios de indicação para a Corte e sugeriu a criação de uma lista tríplice.

— Me comprometo aqui. Eu, como presidente, quero que chegue para mim uma lista de notáveis. Gostaria muito que nós já fizéssemos essa mudança, que a OAB colaborasse, o Superior Tribunal de Justiça, o Ministério Público Federal e o Senado na elaboração dessa lista tríplice — afirmou.

Desempenho contra adversários

Questionado sobre o desempenho pouco competitivo nas pesquisas de intenção de voto presidencial, pontuando 2% inclusive em Minas, Zema relembrou de sua eleição como “outsider” em 2018, quando concorreu pela primeira vez ao governo.

— Se dependesse de pesquisa, eu nunca teria sido eleito governador em 2018. Até o último dia antes da eleição, eu estava lá atrás. E na última hora, na hora que o mineiro foi ver em quem votar, ele viu que tinha um cara lá que tinha ralado a vida inteira desde criança, que era diferente do sistema e que merecia um voto de confiança — disse Zema.

O ex-mandatário também disse que “não volta atrás” das críticas feitas ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) pelo envolvimento com Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, e minimizou a reação de alas do Novo próximas ao bolsonarismo.

— Tudo o que eu disse, eu confirmo, não mudo nada daquilo que eu disse. Foi um momento de muita indignação para mim. O partido Novo, que é o meu partido, fez aliança com o PL nos estados do Sul e foi dito a nós que não havia nada referente ao Banco Master. Então, me expressei daquela maneira, diz o presidenciável — disse.

O ex-governador também defendeu o anúncio do senador Eduardo Girão (Novo) como seu vice. A escolha pelo parlamentar, antes cotado para concorrer ao Senado pelo Ceará, se deu em meio à dificuldade da campanha de conseguir outras siglas para a composição.

Antes, o ex-governador também havia considerado o empresário Geraldo Rufino (Podemos), lançado para o Senado por São Paulo, e o ex-ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Joaquim Barbosa (DC). As tratativas, no entanto, não avançaram e o Novo passou a buscar por uma solução interna a poucos dias do término do prazo fixado pela Justiça Eleitoral para a deliberação sobre as chapas.

Inspiração em Bukele e privatizações

Zema também defendeu a implementação de um modelo de segurança inspirado no sistema de encarceramento implementado por Bukele em El Salvador, que se baseia na construção de “superpresídios”. O ex-governador também afirmou que é a favor da classificação das facções criminosas como organizações terroristas.

— Eu vou deixar o custo do crime lá em cima. Hoje esse custo está no chão, então está valendo a pena ser criminoso no Brasil, e a maioria dos brasileiros está cansando disso. Não estamos podendo pegar o celular na rua e caminhar numa calçada, porque chega alguém e leva — afirmou. — Nós vamos enquadrar todas as facções criminosas como terroristas e, com isso, todo o aparato estatal, as Forças Armadas, a Polícia Federal, a Receita Federal e o Coaf vão poder agir. Isso não acontece porque tem muitos políticos se beneficiando do crime organizado, inclusive o banqueiro bandido chegou até os ministros do Supremo.

Além disso, Zema também afirmou que irá propor durante a campanha “quatro choques” no Brasil, que passam pela privatização de todas as estatais, incluindo a Petrobras.

— Primeiro quero privatizar tudo, a começar pela Petrobras. Em Minas Gerais, nós privatizamos 118 empresas, vamos fazer uma reforma administrativa. Vamos fazer uma reforma previdenciária e vamos melhorar os programas sociais — declarou.

O Globo

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