O deputado estadual e segundo colocado nas eleições suplementares de Cabedelo, Walber Virgolino (PL), reagiu à decisão da Justiça Eleitoral que manteve a diplomação dos eleitos no município, mas sinalizou que a disputa jurídica está longe do fim e pode resultar na cassação da chapa vencedora.
Virgolino afirmou que sua equipe jurídica chegou a avaliar não ingressar com medida cautelar, mas optou por judicializar o caso para evitar interpretações políticas equivocadas.
“Se a gente não recorresse, poderia dar a conotação de que estávamos correndo ou fazendo algum tipo de acordo, e a nossa intenção não é essa”, declarou.
A Justiça negou o pedido cautelar por ausência de provas robustas neste momento, mas autorizou o compartilhamento de elementos da investigação criminal para a Ação de Investigação Judicial Eleitoral (AIJE), o que, na avaliação do deputado, fortalece o processo.
“Ela autorizou o compartilhamento das provas. Agora essa AIJE está mais robusta. O que aconteceu de forma efetiva vai estar no processo”, disse.
A decisão citada por Walber está inserida no contexto da crise política e jurídica em Cabedelo, onde a Justiça manteve a diplomação da chapa eleita, mas reconheceu que ainda não há provas conclusivas para medidas mais duras neste estágio.
Mesmo assim, o parlamentar foi enfático ao projetar desdobramentos mais graves.
“Acredito não só na não posse da chapa afastada, mas também na cassação dessa chapa. E acredito também em novas operações. A situação é muito complicada”, afirmou.
Em um dos trechos mais contundentes da entrevista, Walber fez uma declaração generalizada sobre o cenário político local, associando a atuação de agentes públicos à presença do crime organizado.
“Sem medo de errar, quase todos os políticos de Cabedelo têm um traficante para chamar de seu. Se escavar direitinho, muita gente vai se enrolar”, disparou.
O deputado também defendeu celeridade no julgamento da AIJE, alertando para o risco de perda de objeto caso o processo não avance dentro do calendário eleitoral.
“Ela tem de ser julgada, sob pena de perder o objeto. O Ministério Público não vai deixar isso barato”, pontuou.
Apesar da ofensiva jurídica, Walber reconheceu que a legislação eleitoral não garante automaticamente a posse do segundo colocado em caso de impedimento da chapa vencedora — entendimento já reforçado pela Justiça ao negar essa possibilidade.
Ainda assim, ele afirmou que sua equipe segue trabalhando para reverter o cenário.
“Sabemos que Direito é prova. Minha equipe jurídica é forte e está cuidando dessa fase”, concluiu.
Walber Virgolino disputou a eleição suplementar de Cabedelo em 2026 e obteve 38,79% dos votos válidos, ficando atrás de Edvaldo Neto (Avante), eleito com 61,21%. O pleito foi realizado após a cassação da gestão anterior, mergulhando o município em um novo ciclo de instabilidade política e judicial.
Por: Napoleão Soares








