A Venezuela registrou um novo tremor de terra nesta segunda-feira (29), cinco dias depois dos terremotos que deixaram 1.450 mortos e espalharam destruição em Caracas e em outras cidades do país. O novo abalo teve magnitude 4,6, segundo o Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS), e foi registrado em Caraballeda, no litoral norte venezuelano, a cerca de 30 km da capital. Não havia relato imediato de novos danos, mas o risco preocupa porque milhares de imóveis já ficaram comprometidos pelos tremores da semana passada.
O país ainda tenta medir o tamanho da tragédia. O presidente da Assembleia Nacional, Jorge Rodríguez, informou no domingo (28) que o número de mortos subiu de 1.430 para 1.450. Segundo ele, há 3.150 feridos e 12.721 famílias afetadas.
As Nações Unidas estimam que cerca de 50 mil pessoas estejam desaparecidas. A busca por sobreviventes entrou em uma fase crítica, já que especialistas apontam que as primeiras 48 a 72 horas após um desastre natural costumam concentrar as maiores chances de resgate com vida.
Mesmo assim, equipes locais e estrangeiras continuam avançando sobre áreas destruídas. O trabalho é lento. Em vários pontos, socorristas precisam retirar blocos de concreto e ferro retorcido manualmente para evitar novos desabamentos.
A ajuda internacional também aumentou. Até o momento, 17 países e a ONU enviaram aviões com suprimentos, equipamentos e equipes para apoiar as operações de resgate e atendimento aos desabrigados.
Estragos em prédios e hospitais
O balanço divulgado pelas autoridades venezuelanas aponta 2.501 construções danificadas. Entre elas, 774 prédios foram atingidos, incluindo 189 que desabaram.
A destruição também alcançou a rede de saúde. Ao menos 38 hospitais foram afetados e passam por reparos, segundo o governo. Outros 44 centros comerciais e 1.645 estruturas, como pontes, rodovias e demais obras de infraestrutura, tiveram algum tipo de dano
Os dois terremotos principais atingiram a Venezuela na noite de quarta-feira (24). Eles tiveram magnitude 7,2 e 7,5. Foram os tremores mais fortes registrados no país em mais de 100 anos.
Segundo o USGS, os epicentros ficaram separados por apenas 5 km. O tremor mais forte ocorreu em El Guayabo, a 168 km de Caracas, a uma profundidade de 13 km.
Desde então, novos abalos vêm sendo sentidos. Na sexta-feira (26), um tremor de magnitude 4,9 atingiu Caracas. No domingo (28), foram registrados outros dois, de magnitudes 4,2 e 4,5.
O abalo desta segunda aumenta o temor de que estruturas já abaladas sofram novos danos. Em áreas com prédios rachados, equipes de emergência precisam decidir onde é seguro entrar e onde o risco de queda ainda impede o acesso.
A prioridade das autoridades agora é manter as buscas, reforçar hospitais e organizar abrigo para famílias que perderam casas. Ainda não há prazo para encerrar as operações nos pontos mais atingidos.
IG










