A ala democrata do Comitê de Relações Exteriores do Senado dos Estados Unidos acusou ontem o governo do presidente Donald Trump de “propagar teorias conspiratórias” sobre as eleições presidenciais de outubro no Brasil.
A mensagem publicada ontem pelos dez parlamentares democratas que fazem parte da Comissão de Relações Exteriores do Senado insiste nas suspeitas de interferência indevida nas eleições brasileiras, dizendo que “propagar teorias conspiratórias sobre as eleições não torna a América mais segura. Isso corrói a confiança em nossa democracia internamente e afasta nossos amigos no exterior”.
Além de replicar a reportagem do The Washington Post na mensagem, inserindo o link, a senadora Shaheen ainda destaca um trecho do texto do jornal, que diz: “costumávamos empregar poder em situações de risco para a democracia”, mas “agora, enviamos indicados políticos para desacreditar o sistema eleitoral de outro país”, em referência ao Brasil.
O questionamento ao sistema eleitoral tem sido uma marca tanto do governo Trump, nos Estados Unidos, quanto da família Bolsonaro, no Brasil. Quando ainda era presidente e tentava a reeleição, Jair Bolsonaro fez uma reunião com diplomatas estrangeiros em Brasília, em julho de 2022, para espalhar acusações infundadas sobre as urnas eletrônicas. A atitude, que resultou em condenação dele à inelegibilidade até 2030, acabou sendo reproduzida pelo filho mais velho do ex-presidente, Flávio Bolsonaro, em evento com representantes estrangeiros, no dia 21 de julho.
A reação dos senadores democratas ao que eles chamam de interferência conspiratória dos Estados Unidos contra o Brasil ecoa atitude semelhante tomada ontem por um grupo de mais de 30 deputados argentinos, que propuseram a adoção de uma nota de repúdio contra o presidente Javier Milei por ele ter vindo a São Paulo no sábado participar de evento eleitoral de Flávio Bolsonaro; ocasião na qual chamou o ministro Alexandre de Moraes de “lixo careca” e o presidente Lula de “presidiário”.
Os deputados argentinos —que, assim como os senadores norte-americanos, são todos de oposição— protestaram contra as declarações classificadas por eles de “extremamente graves”. Para o grupo, as falas de Milei em São Paulo “constituem flagrante interferência nos assuntos internos de outro Estado, violando princípios fundamentais do direito internacional, como a não intervenção e a autodeterminação dos povos, pilares que historicamente norteiam a política externa argentina”.
Ambas as situações demonstram como os Congressos dos Estados Unidos e da Argentina tentam contrabalancear de alguma maneira seus próprios presidentes, que demonstram um ímpeto de se engajar politicamente em favor da campanha de Flávio Bolsonaro, interferindo indevidamente na política interna brasileira —seja ferindo o decoro, como no caso de Milei, seja espalhando “teorias conspiratórias”, no caso do governo Trump.
Uol










