Sem verba pública, Trump tira muro com México de lista de prioridades

Muro Uma bola de futebol é deixada em uma rua em frente a cerca de metal, que marca a fronteira entre os Estados Unidos e o México, em Eagle Pass, no Texas. Foto: Yuri Cortez / AFP

Muro Uma bola de futebol é deixada em uma rua em frente a cerca de metal, que marca a fronteira entre os Estados Unidos e o México, em Eagle Pass, no Texas.
Foto: Yuri Cortez / AFP

WASHINGTON – Diante da falta de apoio do Congresso a uma de suas principais promessas de campanha, o presidente Donald Trump teve de recuar na ideia de construir no curto prazo um muro na fronteira com o México financiado pelos cofres americanos. O entendimento sobre essa medida de gastos travava as negociações do orçamento para o próximo ano, cujo prazo se encerra na sexta-feira, e poderia levar ao “fechamento” do governo.

Ao aceitar a proposta de um adiamento da construção da obra, Trump tirou um dos maiores obstáculos para passar o projeto de orçamento antes de expirar o prazo de financiamento para a maioria das operações do governo.

Antevendo críticas ao recuo, o presidente insistiu que continua comprometido com o plano. “Não deixe a mídia mentirosa dizer a você que eu mudei minha posição sobre o muro”, ele escreveu em sua conta no Twitter nesta ferça-feira, 25. “Ele será construído para ajudar a bloquear drogas, tráfico humano, etc.”

Trump afirmou a um grupo de jornalistas na Casa Branca, na noite de segunda-feira, que ele poderia aceitar um projeto de orçamento que incluísse financiamento para a segurança na fronteira sem necessariamente “abandonar” o que era seu objetivo inicial de construir o muro.

A atual legislação de gastos mantém o governo operando até o fim do ano fiscal que se encerra no dia 30 de setembro. O presidente poderá voltar o foco para sua batalha para a construção do muro no projeto de orçamento no próximo ano fiscal.

“Construir esse muro e tê-lo financiado continua uma importante prioridade para ele”, afirmou a conselheira do presidente, Kellyanne Conway, ao programa Fox & Friends, hoje. “Mas nós também sabemos que isso pode ocorrer mais tarde este ano ou no ano seguinte. Nesse período, você verá outras tecnologias avançadas e outros recursos e ferramentas utilizados para garantir a segurança na fronteira.”

Democratas elogiaram a decisão de Trump de não travar o orçamento esta semana.

A promessa de construir um muro, ou estender uma série de barreiras que já existem em partes da fronteira, foi um tema central na campanha de Trump no ano passado. Ele não apenas alegava que estaria protegendo os EUA de um “certo tipo” de imigrantes vindos do outro lado da fronteira ilegalmente como faria o México pagar pela barreira. Mas os custos orçados para o muro ultrapassaram o estimado por ele e o México tornou pública sua intenção de não arcar com o gasto.

O porta-voz da Casa Branca, Sean Spicer, afirmou na segunda-feira que Trump ainda está determinado a fazer o México pagar pela obra, mas primeiramente terá de recorrer ao dinheiro do recolhimento de imposto dos americanos. Dinheiro que, segundo ele, será reembolsado pelos mexicanos.

Trump estimou durante a campanha, que o muro poderia custar cerca de US$ 12 bilhões, mas um relatório do Departamento de Segurança Interna de fevereiro estimou que a obra poderia custar cerca de US$ 21,6 bilhões. Um relatório divulgado na semana passada por senadores democratas colocou os valores muito mais acima, perto de US$ 70 bilhões./THE NEW YORK TIMES

Blog Chico Soares com Estadão



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