O ex-governador Ricardo Coutinho (PT), pré-candidato a deputado federal, elevou o tom contra o governador João Azevêdo e deixou claro que não pretende votar nele para o Senado em 2026.
A declaração foi dada nesta quarta-feira (8), durante entrevista ao programa Ô Paraíba Boa, da FM 100.5, ao comentar o cenário da disputa pelas duas vagas ao Senado na Paraíba.
Ricardo afirmou que seu voto será em Veneziano Vital do Rêgo (MDB) e justificou a decisão com um argumento político e pessoal.
“Eu voto em Veneziano porque Veneziano merece, eticamente, o meu voto. Eu não voto em João Azevêdo porque João Azevêdo não merece, eticamente, o meu voto”, declarou.
Questionado se mudaria de posição caso o pedido partisse do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Ricardo foi direto e não deixou margem para interpretação.
“Não. Nem Lula me pedindo”, respondeu.
A fala tem peso porque expõe, mais uma vez, a fratura política entre Ricardo e João, antigos aliados que hoje estão em campos separados dentro do mesmo ambiente político que orbita a base do presidente Lula na Paraíba.
Durante a entrevista, Ricardo voltou a lembrar a eleição de 2018, quando apoiou João Azevêdo para o Governo do Estado. O ex-governador afirmou que seu grupo foi decisivo para a vitória de João naquele ano e disse que entregou o Estado em boas condições administrativas.
“O que esse cidadão fez com a Paraíba… Em 2018, nós elegemos um cidadão totalmente desconhecido. Nós entregamos um Estado numa condição extraordinária”, afirmou.
No tabuleiro de 2026, a declaração funciona como uma senha política: Ricardo não apenas reafirma voto em Veneziano, mas também veta João em seu campo pessoal de apoio.
A frase “nem Lula me pedindo” resume o tamanho do rompimento. Em política, há portas que ficam apenas encostadas. A de Ricardo para João, pelo tom da entrevista, parece ter sido trancada por dentro.
Por: Napoleão Soares







