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Motorista de ônibus, herdeiro de Hugo Chávez e alvo de Trump: conheça a trajetória de Nicolás Maduro

Ex-líder sindical chegou ao poder como herdeiro do chavismo. Ao longo de 12 anos, governo foi marcado por crises econômicas, perseguição a opositores e isolamento internacional.

Napoleão Soares Por Napoleão Soares
03/01/2026
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Motorista de ônibus, herdeiro de Hugo Chávez e alvo de Trump: conheça a trajetória de Nicolás Maduro

Maduro segura novo mapa da Venezuela com anexação de Essequibo — Foto: Zurimar Campos/Presidência da Venezuela

O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, foi capturado por forças dos Estados Unidos neste sábado (3), de acordo com o governo de Donald Trump. O próprio Trump anunciou a captura e disse que Maduro foi retirado da Venezuela, mas não informou seu paradeiro.

O presidente venezuelano estava no poder havia 12 anos e cumpria seu terceiro mandato, conquistado em eleições contestadas por observadores nacionais, ele vê seu país atacado pelos Estados Unidos e como principal alvo de seu presidente, Donald Trump

Conheça, abaixo, a trajetória do presidente venezuelano:

Nicolás Maduro Moros, hoje com 62 anos, nasceu em Caracas. Após concluir o ensino médio, ele conseguiu um emprego como motorista de ônibus no sistema do Metrô de Caracas.

A escalada ao poder começou ainda como motorista. Maduro fundou um novo sindicato para representar os trabalhadores do Metrô de Caracas, no fim da década de 1970.

Mais tarde, tornou-se militante do Movimento Bolivariano Revolucionário 200 (MBR-200), que era liderado por Hugo Chávez. Em 1992, após a tentativa de golpe fracassada e a prisão de Chávez, Maduro ganhou fama pelo ativismo em favor da libertação do líder revolucionário.

Nos anos seguintes, Maduro foi eleito deputado, nomeado chanceler, até chegar à Presidência. O governo dele é marcado por polêmicas, crises econômicas e isolamento internacional.

Alto, com um bigode espesso que exibe com orgulho, o ex-motorista de ônibus e dirigente sindical de explora os estereótipos de “homem do povo”, de “presidente trabalhador”, como gosta de ser chamado, para seu benefício político, evocando um passado de vida simples em longas noites televisionadas com Cilia Flores, sua esposa e “primeira combatente”, muito poderosa nos bastidores.

Em meados de agosto, após seu retorno à Casa Branca, Trump deslocou um enorme efetivo militar para o Caribe. Sob a alegação de combater o tráfico de drogas, os EUA passaram a realizar ataques a embarcações supostamente usados por grupos criminosos.

Carreira política de Maduro

Nicolás Maduro saiu do sindicalismo diretamente para a política. Identificando-se com a esquerda, foi um dos fundadores do partido de Hugo Chávez, o Movimento Quinta República.

Em 1999, Chávez foi eleito presidente. Naquele ano, Maduro tornou-se membro da Assembleia Nacional Constituinte. Em 2000, foi eleito deputado, chegando a ser presidente da Casa em 2006.

Maduro deixou a Assembleia da Venezuela após ser convidado por Chávez para ser ministro das Relações Exteriores. Na época, ele já era muito próximo do então presidente. Como chanceler, Maduro se manteve fiel ao chavismo e era considerado por diplomatas uma pessoa fácil de lidar.

Em outubro de 2012, Hugo Chávez foi reeleito para um quarto mandato na Venezuela e escolheu Maduro para ser seu vice-presidente. Pouco tempo depois, o presidente se afastou do cargo para cuidar da saúde, e o vice assumiu o comando interinamente.

No fim daquele ano, em meio a uma recaída do câncer, Chávez sentenciou, em cadeia nacional: “Se algo acontecer comigo, elejam Nicolás Maduro”. Era a senha para a mudança de comando do movimento chavista.

Chegada à Presidência da Venezuela

Com a morte de Chávez, em março de 2013, novas eleições presidenciais foram feitas. Maduro foi eleito presidente por uma pequena margem de votos, derrotando o opositor Henrique Capriles.

Os anos seguintes foram marcados por instabilidade política na Venezuela. Com uma crise financeira, em 2014, as ruas do país foram tomadas por manifestantes de oposição que exigiam a saída de Maduro do poder.

Leopoldo López, que liderou as manifestações, acabou preso em 2015 acusado de incitar a violência. No mesmo ano, Antonio Ledezma, então prefeito de Caracas, também foi detido acusado de conspirar contra o governo.

A comunidade internacional passou a olhar a Venezuela com preocupação, e o país foi alvo de sanções dos Estados Unidos por violação aos direitos humanos.

Em 2016, a oposição tentou tirar Maduro do poder mais uma vez por meio de um referendo, além de organizar novos protestos. Mas o presidente conseguiu se manter no cargo com apoio da Justiça, que foi acusada de favorecê-lo.

No ano seguinte, novos protestos violentos aconteceram na Venezuela, resultando em mortes.

Em julho de 2017, foi eleita uma Assembleia Constituinte com poder absoluto, substituindo o Parlamento na prática, mas não reconhecida por vários governos. O chavismo venceu as eleições para governadores em outubro, e as municipais em dezembro, com a oposição denunciando fraudes.

Em 2018, a Assembleia Constituinte decidiu antecipar as eleições presidenciais, e Maduro foi reeleito. A oposição, por outro lado, boicotou a votação e alegou fraude. Estados Unidos e países da Europa e América Latina não reconheceram o resultado por falta de transparência.

Autoritarismo

Nicolás Maduro foi acusado de manter um governo autoritário ao longo dos últimos 11 anos. Durante o mandato, foi denunciado por perseguir opositores, centralizar o poder e, até mesmo, tentar anexar parte do território da Guiana.

Alvo de vários protestos, Maduro optou por usar a repressão para combater quem se manifestava contrariamente ao governo. Os maiores movimentos foram registrados entre 2014 e 2019.

Durante as manifestações, testemunhas relataram ações de violência por parte das forças de segurança, além de prisões arbitrárias e mortes. Somente em 2019, segundo levantamento do Observatório Venezuelano de Conflito Social, 67 pessoas morreram em ações contra o governo.

Um dos protestos, em 2017, foi motivado pela convocação de Maduro de uma Assembleia Constituinte, sem a participação do Parlamento. O presidente justificou que uma nova Constituição iria ajudar a solucionar a crise que o país vivia.

Por outro lado, analistas viram o movimento de Maduro como uma tentativa de driblar o Congresso, que era controlado pela oposição. Ainda em 2017, a Assembleia Constituinte composta por chavistas tomou os poderes do Parlamento.

A Constituinte acabou sendo encerrada em 2020, sem propor uma nova Constituição. No mesmo ano, o partido de Maduro venceu as eleições legislativas. Ou seja, o Congresso retomou o poder, mas com maioria do governo.

Além disso, os últimos processos eleitorais da Venezuela foram marcados por denúncias de irregularidades, com opositores sendo impedidos de concorrer.

G1

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