Há políticos que passam pela administração. E há gestores que deixam método. Em Rio Tinto, goste-se ou não do estilo, concorde-se ou não com suas posições, é difícil falar da história recente do município sem passar pelo nome de Magna Gerbasi.
No quarto mandato à frente da Prefeitura, Magna carrega uma marca construída ainda nos anos 2000, quando assumiu a cidade em um período de dificuldades financeiras e imprimiu uma forma de administrar que, à época, chamava atenção em todo o Vale do Mamanguape: pagar em dia, organizar a casa, antecipar salários quando possível e tratar a folha de pagamento como prioridade de gestão.
Hoje, muitos podem dizer que pagar servidor, fornecedor e compromissos públicos é obrigação. E é mesmo. Mas é preciso lembrar que, em outros tempos, atrasos salariais, dívidas acumuladas e fornecedores sem previsão de recebimento eram realidades comuns em muitas prefeituras. Nesse cenário, Magna fez da previsibilidade financeira uma marca política.
Essa característica voltou a aparecer agora. Em menos de 30 dias, segundo informações da gestão, a Prefeitura de Rio Tinto movimentou mais de R$ 12 milhões com pagamento antes da Festa da Padroeira, antecipação de décimo terceiro, quitação de fornecedores e novo pagamento antecipado a servidores efetivos, comissionados e contratados.
Não é apenas número. É circulação de dinheiro no comércio, segurança para o servidor, fôlego para o fornecedor e organização para a máquina pública.
A história de Magna ajuda a explicar esse perfil. Servidora federal de carreira, com trajetória na Caixa Econômica, ela aprendeu cedo o valor do equilíbrio financeiro. Na política, transformou essa visão em prática administrativa. Sua gestão pode ser debatida, criticada, defendida ou questionada, como toda gestão pública deve ser. Mas há um ponto que atravessa seus mandatos: a tentativa de manter a Prefeitura com responsabilidade fiscal e capacidade de pagamento.
Magna também tem um traço que a política regional conhece bem: raiz. É uma gestora ligada afetivamente a Rio Tinto, com presença antiga, história familiar e identidade com a cidade. Não por acaso, foi batizada pelo deputado Trocolli Júnior e pelo jornalista Chico Soares com o apelido de “A Operosa”, expressão que acabou ficando entre amigos, aliados e observadores da política local.
O apelido, mais do que uma brincadeira, traduz uma percepção: Magna é uma administradora de ritmo, cobrança, presença e método. Não governa sem marca. Tem estilo próprio, personalidade forte e uma forma de conduzir que agrada uns, incomoda outros, mas raramente passa despercebida.
No início do terceiro mandato, enfrentou dificuldades administrativas e financeiras, reconhecidas inclusive em balanços oficiais da própria gestão. Ainda assim, voltou a imprimir seu ritmo e reposicionou a Prefeitura dentro de uma lógica de planejamento e pagamento regular.
É nessa continuidade que está o ponto central da análise. Magna não é apenas uma prefeita em exercício. É uma personagem política de Rio Tinto. Uma liderança que atravessou décadas, voltou ao poder, venceu a Covid, venceu novamente nas urnas e se tornou a única prefeita em vida, entre as cidades do Vale do Mamanguape, a alcançar quatro mandatos.
Isso não elimina críticas, nem transforma gestão pública em unanimidade. Nenhum gestor é unanimidade. Mas a história política exige justiça com os fatos: Magna Gerbasi construiu legado, criou método e manteve, ao longo dos anos, uma marca administrativa reconhecida até por quem discorda dela.
Em Rio Tinto, a Operosa segue fazendo aquilo que sempre soube fazer melhor: administrar com mão firme, olhar financeiro e sentimento de pertencimento.
E, na política, isso também conta história.
Por: Napoleão Soares










