Fiel aliado do PT na disputa presidencial, com o ex-governador Geraldo Alckmin de vice na chapa de Luiz Inácio Lula da Silva, o PSB está do lado opositor em três das nove eleições para governos estaduais no Nordeste em 2022. No Ceará, na Paraíba e em Alagoas, o PT se coligou com o MDB ou optou por lançar candidato próprio (caso cearense). Todos esses atos eleitorais tiveram direito à presença de Lula.
O ex-presidente petista esteve ontem em Campina Grande (PB) para cravar a última das divergências entre os dois partidos.
Na Paraíba, ele participou de ato de campanha de Veneziano Vital (MDB). O atual governador João Azevêdo (PSB) tenta a reeleição e apoia Lula publicamente, mas perdeu a disputa pelo apoio do PT para o arquirrival.
O motivo, no caso, é regional. O maior aliado de Lula no estado é o ex-governador e pré-candidato ao Senado Ricardo Coutinho (PT), que é desafeto de Azevêdo.
Em 2018, Coutinho foi o maior cabo eleitoral de Azevêdo, quando ambos ainda estavam no PSB. A campanha foi vitoriosa ainda no primeiro turno. Mas os dois romperam relações menos de um ano depois da posse.
A saída foi marcada por muitas trocas de farpas. Em carta publicada em dezembro de 2019, Azevêdo disse que tinha “exercido os limites da paciência” com o PSB. Após uma série de renúncias e críticas de membros ligados a Coutinho, houve uma intervenção nacional no diretório estadual, que levou à destituição do então presidente socialista local, Edvaldo Rosas (ligado a Azevêdo), seguida de nova eleição ao comando.
À época liderado por Coutinho, o PSB chegou a pedir desculpas ao povo paraibano pela eleição de Azevêdo, a quem Coutinho chamou de traidor e comparou com o estilo de Jair Bolsonaro.
O tempo passou, e nada como o tempo na política. Com a ida de Coutinho ao PT, Azevêdo voltou ao partido em fevereiro deste ano, numa tentativa de se aproximar de Lula.
Mas perdeu a disputa no estado e vai à reeleição com o “fogo amigo” e apoio apenas de Alckmin.
A volta de Azevêdo ao PSB, por sinal, acabou se tornando um obstáculo para que PT e PSB avançassem na ideia de formar uma federação, já que a convivência entre Coutinho e o governador é considerada inviável.
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