O xadrez político da Paraíba ganhou um lance de peso nacional. Em uma movimentação carregada de simbolismo, estratégia e recado eleitoral, o presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, recebeu Jhony Bezerra em São Paulo, deu as boas-vindas ao médico paraibano e, na prática, sacramentou sua chegada ao partido. A cena tem força própria: não foi apenas um encontro protocolar, foi um gesto político de acolhimento, prestígio e aposta num nome que passa a ocupar novo espaço no tabuleiro de 2026.
A fala de Kassab não deixa margem para dúvida. Ao exaltar Jhony como futuro representante da Paraíba na Câmara Federal e destacar a expectativa do PSD de eleger uma bancada robusta, o dirigente nacional transformou o gesto em mensagem. O partido não apenas abre a porta para Jhony; abre a vitrine, oferece estrutura e sinaliza que deseja vê-lo como peça competitiva dentro de um projeto mais amplo. Segundo informações publicadas nesta sexta-feira, a conversa incluiu garantias e apoio estrutural para a caminhada eleitoral.
O movimento não aconteceu por acaso nem nasceu do improviso. O encontro de São Paulo contou com a articulação dos deputados Wellington Roberto e Mersinho Lucena, nomes que ajudaram a costurar a aproximação e funcionaram como pontes de confiança para a entrada de Jhony no PSD. O gesto revela que a filiação vai além do aspecto partidário: trata-se de uma operação política pensada, calculada e inserida num projeto de reposicionamento com impacto direto na chapa federal e no ambiente majoritário da oposição paraibana.
A chegada de Jhony ao PSD também conversa diretamente com outro movimento já consolidado nas últimas semanas: seu apoio público ao projeto de Cícero Lucena para o Governo da Paraíba. Jhony rompeu com a base governista, declarou apoio ao prefeito de João Pessoa e passou a orbitar no campo oposicionista, mantendo discurso de enfrentamento à gestão de Campina Grande e de alinhamento a uma nova composição para 2026. A própria imprensa paraibana registrou que aliados de Jhony foram acomodados na estrutura da Prefeitura de João Pessoa após a mudança de rota política, reforçando que a aproximação com o grupo de Cícero não é episódica, mas orgânica.
Nesse contexto, a filiação ao PSD tem leitura ampla. Ela fortalece Jhony, robustece a nominata federal do partido e atende a uma equação política maior: dar musculatura a um campo que tenta se consolidar em torno de Cícero Lucena.
O recado final dessa operação é forte. Jhony Bezerra não apenas trocou de legenda; ele mudou de patamar político. Sai de um ambiente de incerteza para ingressar em uma estrutura nacional que o recebe com tapete estendido, discurso de confiança e promessa de protagonismo. Kassab não fez um aceno burocrático. Fez uma aposta. E, na política, quando um presidente nacional fala em público, abre a casa do partido e projeta um nome como futuro deputado federal, ele não está apenas elogiando — está investindo.
Na Paraíba, a tradução é simples: o PSD ganha um nome de densidade eleitoral em Campina Grande e no interior; Jhony ganha abrigo, estrutura e perspectiva; e o bloco oposicionista passa a somar mais uma peça num jogo que já começou faz tempo. Em 2026, ninguém quer apenas estar no tabuleiro. Todo mundo quer chegar com time, discurso e rota definida. E Jhony, agora, tem tudo isso.
Por: Napoleão Soares










