Josival de Sousa Júnior

Melhor homenagem ao comunicador é lembrar a luta de um bravo paciente para que outros tenham final melhor

Melhor homenagem ao comunicador é lembrar a luta de um bravo paciente para que outros tenham final melhor

Do exímio comunicador, um dos mais completos do Brasil, muito se dirá. Dono de uma capacidade extraordinária de improviso, de uma leitura irrepreensível e de um talento inexcedível na arte de encantar suas platéias no rádio e na TV.

Do político circunstancial, também. Prefeito duas vezes da terra que adotou, embalado pela força de sua performance na mídia, ele deixou sua marca, seja nas urnas, seja na gestão, com seus altos e baixos.

Do cidadão, lembraremos das muitas virtudes e dos erros, tão próprios de nossa humanidade. Eu prefiro ficar com seu exemplo de fé em Deus, expressa reiteradas vezes nos tempos áureos da fama e nos dias maus da doença, da limitação e da invalidez para o trabalho.

Invoco aqui, porém, o paciente Josival de Sousa Júnior, acometido de uma grave insuficiência pulmonar e diagnosticado como candidato a lista de transplante, procedimento não realizado em seu estado natal.

Desde o diagnóstico, ele passou a travar sua via crucis em Fortaleza (CE). Assistiu angustiado muitas famílias na Paraíba dispostas a doar, mas frustradas pela falta de condições materiais e objetivas da rede de saúde paraibana. Numa dessas tentativas frustradas de gente da Paraíba que tentou doar, ouvi comovente desabafo dele em áudio num grupo privado de amigos.

Não há por aqui hospitais e equipes prontas para essa delicada operação, que exige uma grande força tarefa, a começar pelo estímulo a parentes de potenciais doadores. Nos hospitais de Trauma de Campina e João Pessoa, portas de entradas do maior número de casos que terminam em óbito, esse trabalho não é feito. A nossa Central de Transplantes está praticamente desativada na prática e não há um trabalho focado nisso.

Tudo nesse processo é caro, muito caro. Mas há de se perguntar, sem demagogia: quanto vale uma vida?

Anos atrás, o ex-prefeito Luciano Agra morreu antes de chegar sua vez na fila do transplante de fígado em Recife (PE). Agora foi Jota Júnior. Quantos outros Agras e Jotas da multidão do povo, sem fama, sem prestígio e sem recursos financeiros, também não estão morrendo ou continuarão a morrer?

A luta do nosso ilustre conterrâneo, internado em Fortaleza há meses e a caminho de Porto Alegre (RS) em busca de um pulmão que lhe devolvesse vida plena, deve merecer um reposicionamento de nossas autoridades da saúde e da política no sentido de reabrirmos o debate sobre o serviço de transplantes na Paraíba.

Nossa maior homenagem ao brilhante comunicador Jota Júnior é suplicar pelos o que não têm voz, como tantas vezes ele fez, até ao ponto de sensibilizar quem de direito para que outros paraibanos, anônimos e sem microfone, tenham a chance que o paciente Josival de Sousa Júnior, infelizmente, não teve.

Por Heron Cid



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