A cadeia produtiva da cachaça volta a ocupar o centro das atenções do agronegócio brasileiro entre os dias 6 e 8 de agosto, em Belo Horizonte (MG). A 35ª edição da Expocachaça, considerada a maior vitrine mundial do setor, reúne cerca de 250 expositores de 18 estados e aproximadamente 2 mil marcas, com expectativa de público de 25 mil visitantes.
Cachaças chegam a custar R$ 15 mil na feira
A cachaça é uma bebida democrática. Uma garrafa custa a partir de R$ 25, mas alguns rótulos exigem investimento considerável. A Extra Premium Diamond 21, produzida em Ivoti (RS), envelhecida por 21 anos e apresentada com um diamante cravado na embalagem, é vendida por R$ 15 mil, o equivalente a nove salários mínimos e meio. A versão sem a pedra sai por R$ 10 mil. As duas garrafas são as mais caras à venda na Expocachaça.
Segundo o expositor Marcelo Pelisson, a bebida passa seis anos em barris de carvalho francês e outros seis em barris de bálsamo, em uma série limitada da destilaria Weber Haus. Pelisson participa da Expocachaça pela 14ª vez consecutiva. “Desde muito tempo a gente vem prestigiando o evento, onde a gente entende que o mercado da capital mineira, assim como de Minas, é muito promissor para a cachaça, e onde se consome muito da bebida. Portanto, entendo que como destilaria gaúcha não podemos ficar de fora”, afirma.

De acordo com o expositor, colecionadores, admiradores da bebida e consumidores comuns buscam o rótulo. “Ela é ótima. Nunca tomei um destilado neste nível. Pode ser comparada aos grandes conhaques do mundo”, diz Pelisson.
Minas Gerais lidera a produção nacional de cachaça
Minas Gerais concentra a liderança da produção brasileira de cachaça, o que reforça o protagonismo do estado na feira. Segundo o Anuário da Cachaça 2025, do Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA), o Brasil possui 1.266 estabelecimentos registrados, dos quais 501 ficam em Minas Gerais, 39,6% de todas as cachaçarias do país. O estado também concentra 2.492 produtos registrados, equivalentes a 34,5% dos rótulos nacionais.
Conheça a maior feira de cachaça do mundo
Esses números confirmam a relevância econômica da atividade, que envolve produtores rurais, pequenas agroindústrias, cooperativas, fabricantes de equipamentos e barris, laboratórios, transportadoras e distribuidores.
ANPAQ lança selo que certifica autenticidade da cachaça de alambique
A Associação Nacional da Cachaça de Alambique (ANPAQ) lança durante o evento o Selo Nacional da Cachaça de Alambique, iniciativa voltada à valorização e à proteção da produção tradicional brasileira.
O selo identifica a autêntica cachaça de alambique, produzida em alambique de cobre e conforme critérios técnicos da entidade. Cada certificação traz QR Code e código serial exclusivo, que dão ao consumidor acesso a informações sobre o produtor, o processo de produção e a autenticidade da bebida — reforçando a transparência para quem compra.
Programação reúne negócios, tecnologia e debates sobre o setor
A programação da Expocachaça inclui rodadas de negócios, exposição de equipamentos para alambiques e apresentação de fornecedores de embalagens, barris, tecnologia, insumos e serviços especializados.
Sucessão familiar nas propriedades rurais, agregação de valor ao produto, indicação geográfica, rastreabilidade, internacionalização, certificações, qualidade laboratorial, sustentabilidade e os impactos da reforma tributária figuram entre os temas centrais da edição. O crescimento das bebidas prontas para consumo (RTDs), novas estratégias de posicionamento de mercado e a ampliação do turismo rural nos alambiques também entram em pauta.
“A cadeia da cachaça evoluiu significativamente nas últimas décadas. Hoje falamos de um produto com elevado valor agregado, forte identidade territorial e crescente reconhecimento nacional e internacional. A Expocachaça acompanha essa evolução, promovendo conexões que fortalecem todo o setor”, afirma José Lúcio Mendes, idealizador da feira.
Feira integra cachaça, cerveja e doces mineiros
A Expocachaça acontece simultaneamente à 19ª Brasil Bier e à 4ª Minas + Doce, o que amplia o diálogo entre diferentes segmentos do agronegócio, da agroindústria e da gastronomia. A integração cria oportunidades de negócios, parcerias comerciais e valorização dos produtos de origem mineira. Consolidando Belo Horizonte como ponto de encontro de uma das cadeias produtivas mais tradicionais do agronegócio brasileiro.
Agro em Campo









