Segundo levantamento da Abrablin (Associação Brasileira de Blindagem), foram 42.800 veículos protegidos no ano passado. Trata-se do maior quantidade de automóveis com proteção registrados desde 1995, o início da série histórica compilado pelo órgão. O número ainda representa um crescimento de 24,6% em relação ao ano de 2024, quando foram blindados 34.402 veículos
E não é só isso. Há 20 anos, o segmento documentou 3.622 unidades blindadas. Ou seja, houve um crescimento de 1.081% frente aos quase 43 mil de 2025. Em termos de comparação, em 1995, foram só 388 exemplares protegidos. A estimativa da Abrablin é que atualmente 400 mil modelos blindados rodam pelo país.
Blindagem de veículoPara o presidente da Abrablin, Marcelo Silva, o aumento é consequência de uma série de fatores. O primeiro, claro, é a insegurança no país. “É um fator que as pessoas começam a se preocupar
O executivo também acredita que o Brasil virou referência no assunto. “Nos anos 1990, 2000, havia um receio muito grande do consumidor de que ia estragar o carro dele. E hoje ele tem certeza de que o serviço prestado por uma blindadora vai deixar o carro muito próximo da originalidade”, afirma. ” A inovação tecnológica que ano a ano tem sido feita, reduzindo o peso agregado, também ajuda bastante”, completa.
Uma consequência desse fator é o amadurecimento do mercado. “Lá atrás na hora da revenda, o carro blindado era um mico, o mercado não absorvia e você perdia muito, a depreciação era muito grande”, explica. “Se você anunciar um carro blindado hoje e que estiver em bom estado, você vende com muita facilidade. Não recupera valor investido, mas sim um valor de depreciação bem menor que acompanha a desvalorização normal do veículo”, finaliza.
A série histórica, no entanto, tem momentos de involução desde 1995. O relatório crescente vai até 2001, quando 4.681 veículos foram blindados. Porém, em 2002, a Abrablin registrou 4.136 exemplares. Os anos de 2003 e 2004 mostram mais quedas: 3.123 e 3.045, respectivamente. A partir de 2005, por sua vez, o número cresce rapidamente até 2016. Vale ressaltar que de 2008 para 2009 houve outra regressão de veículos protegidos, mas a diferença foi de apenas 56 carros: 6.982 contra 6.926.
Outro dado interessante é a progressão exponencial nos anos 2010. De 2014 para 2015 houve um salto de 60%, pulando de 11.731 veículos para 18.865.
Apesar de mais alguns retrocessos na década, desde 2021 a Abrablin registra uma sequência de quebras de recorde de modelos com proteção a cada ano.
Nº de carros blindados desde 2006 no Brasil
2006 – 3.622 carros
2007 – 5.312
2008 – 6.982
2009 – 6.926
2010 – 7.332
2011 – 8.106
2012 – 8.384
2013 – 10.156
2014 – 11.731
2015 – 18.086
2016 – 18.865
2017 – 15.145
2018 – 11.912
2019 – 18.842
2020 – 13.837
2021 – 20.024
2022 – 25.916
2023 – 29.296
2024 – 34.402
2025 – 42.800
O presidente da Abrablin também chama atenção para outro viés que justifica o aumento da blindagem: investimento dos órgãos de segurança pública. “A gente tem notado é que as próprias forças policiais também estão equipando os seus homens. A blindagem de um veículo também está sendo considerada hoje um equipamento de proteção para quem trabalha na área de segurança no enfrentamento do crime organizado ou do crime de um modo geral”, diz.
No Brasil, a maioria dos veículos recebe a blindagem de nível III-A, que é o nível máximo permitido para civis pelo Exército Brasileiro e oferece proteção contra armas de cano curto, como pistolas 9 mm e revólveres .44 Magnum.
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