A política de Cajazeiras voltou a ferver. O ex-prefeito e pré-candidato a deputado estadual Zé Aldemir (PP) subiu o tom contra a prefeita Corrinha Delfino (PP), sua ex-aliada, e fez uma das declarações mais duras desde o rompimento político entre os dois.
Durante coletiva de imprensa, nesta sexta-feira (3), Zé Aldemir pediu desculpas à população de Cajazeiras por ter apoiado Corrinha na disputa pela Prefeitura e demonstrou profunda frustração com os rumos da relação política.
“Peço desculpas a Cajazeiras pela inconsequência de indicá-la. A frustração é muito grande. Me apunhalou pelas costas, nunca esperei isso dela. Confesso a vocês, sem nenhuma vergonha: eu tenho perdido o sono”, declarou o ex-prefeito.
A fala caiu como gasolina no já inflamado ambiente político cajazeirense. Zé, que foi um dos principais responsáveis pela construção do projeto que levou Corrinha ao comando da cidade, agora rompe publicamente com a ex-aliada e transforma a mágoa política em denúncia pública.
O ponto mais forte da coletiva veio quando o ex-prefeito afirmou que Cajazeiras estaria vivendo uma espécie de “ditadura” administrativa. Segundo ele, aliados estariam sendo alvo de perseguições, ameaças e demissões por manterem relações políticas ou pessoais com seu grupo.
“Estamos vivendo em Cajazeiras uma verdadeira ditadura. Até relações pessoais a prefeita Corrinha Delfino quer impedir com ameaças e demissões”, afirmou Zé Aldemir.
A declaração é grave e abre um novo capítulo na crise política local. De um lado, Zé Aldemir tenta mostrar que o rompimento não é apenas uma divergência eleitoral, mas uma quebra de confiança pessoal e política. Do outro, a prefeita Corrinha passa a enfrentar uma cobrança pública feita por quem, até pouco tempo, era seu principal avalista político.
O episódio também revela como Cajazeiras entrou definitivamente no clima de pré-campanha. As alianças que pareciam sólidas racharam, os bastidores vieram para a frente do palco e a disputa por espaço político no Sertão ganhou contornos emocionais, administrativos e eleitorais.
Zé Aldemir não economizou nas palavras, mas o caso agora exige mais do que discurso forte. As acusações de perseguição precisam ser tratadas com responsabilidade, direito de resposta e apuração. Em política, rompimento faz parte do jogo. Perseguição, se comprovada, ultrapassa o campo da divergência e entra no terreno da gestão pública.
Cajazeiras, conhecida por sua força política e por nunca assistir aos acontecimentos de braços cruzados, volta ao centro do debate estadual. A cidade onde tudo repercute, tudo vira conversa e tudo ganha leitura eleitoral agora vive um enredo de ruptura: quem indicou, hoje se arrepende; quem foi apoiada, hoje é cobrada; e o eleitor, no meio do fogo cruzado, observa.
No tabuleiro sertanejo, Zé Aldemir acendeu o pavio. Resta saber se Corrinha vai responder, silenciar ou tentar apagar o incêndio antes que a crise ganhe ainda mais força.
Por: Napoleão Soares








