A inauguração do 42º Salão do Artesanato Paraibano, cujo tema de 2026 é bonecas, no dia 11 de junho, faz a cidade de Esperança vibrar: a cidade é dada como a cidade das bonecas por causa da Boneca-Esperança. Esperança é um dos grandes destaques desse ano por ser a mãe da famosa Boneca-Esperança. Nascida a partir da necessidade de sanar a fome que a seca emplacara na década de 50 na região do Sítio Riacho Fundo, as Boneca-Esperança, como são conhecidas, surgem por duas irmãs, Maria do Socorro da Conceição e Aderita da Conceição e ajuda a dar sustento a uma comunidade inteira.
Inicialmente, o objetivo da criação do souvenir era a diversão das irmãs, mas – por causa da forte crise que se abatera na região – começou a ser utilizada como moeda de troca para consecução do sustento das famílias. Segundo Núbia Cristina, artesã e coordenadora da Associação das Bonequeiras de Esperança, as suas tias – Socorro e Aderita da Conceição – trocavam as suas bonecas por cestas básicas: “uma pessoa de uma cidade vizinha trocava comida, cesta básica e alguns “trocados” pelas bonecas que já estavam sendo bem vendidas fora da região”, afirma a artesã. O trabalho precisou esperar cinquenta anos para ter o seu valor reconhecido financeiramente.

O modus operandi das bonecas foram passados de geração em geração. Nubia conta que brincava de boneca na casa da tia e via a produção: “eu ia brincar de boneca na casa da minha tia e via como as peças eram feitas. Aprendi.”. E complementa: “quando ela começou a ensinar as pessoas daqui eu aprendi ainda mais!”, destacando a disponibilidade das tias em ensinar a arte para as pessoas da comunidade, que incluía homens e mulheres de 13 a 72 anos.
Após o investimento de programas governamentais para a produção e venda, receberam reconhecimento e destaque no Brasil e no mundo: apareceram no cenário das apresentadoras Silvia Popovic e – anos depois – no de Fátima Bernardes; fizeram parte da exposição dos Irmãos Campana, na peça Cadeira Multidão no ano de 2023; também adornaram a cadeira oficial do Festival de Cinema de Cannes, em 2008. Além disso, são encontradas em feiras de artes reconhecidas internacionalmente como a Feira de Hannover, na Alemanha e na Loggia di Mercanti, em Milão.

A Associação das Bonequeiras de Esperança, atualmente, tem a Casa das Bonecas, um espaço montado para a comercialização, encontro e gestão administrativa do grupo. É um lugar dedicado ao artesanato que salvou uma região da fome e hoje sustenta muitas famílias. Perguntada sobre investimentos e apoios, Nubia destaca o empenho do poder público em manter viva a arte das bonecas: “a gente tem apoio da gestão municipal. Tanto em transporte, material, a montagem do nosso espaço. A gente conta com a prefeitura e eles correspondem.”, finaliza a artesã.
As Bonecas-Esperança estão sendo expostas e vendidas na 42ª edição do Salão do Artesanato Paraibano, que começou no dia 11 de junho e vai até o dia 4 de julho. É um momento de visibilidade do trabalho das artesãs, pois o Salão reúne visitantes, investidores e compradores do Brasil e do mundo em busca de produtos que materializem arte e identidade para os mais diversos fins como a comercialização ou a composição de acervos e coleções. Nubia Cristina, a artesã, fala com entusiasmo sobre a feira: “é uma oportunidade que a gente tem de mostrar a nossa arte. Nosso trabalho. E mostrar para muita gente. Isso é muito bom.”, finaliza ela.
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