A última pesquisa de 2025 do Polêmica Paraíba em parceria com o Instituto SETA encerra o ano apontando um redesenho claro na corrida pelo Governo da Paraíba. O principal fator político do levantamento é a saída de Pedro Cunha Lima da disputa, o que reorganiza forças e cristaliza um novo arranjo entre os pré-candidatos que permanecem no jogo.
De acordo com os números, o prefeito de João Pessoa, Cícero Lucena, aparece na liderança com 38% das intenções de voto. O vice-governador Lucas Ribeiro surge em segundo, com 26,1%, seguido pelo senador Efraim Filho, que marca 19,7%.
Tecnicamente, o levantamento indica três blocos bem definidos. Cícero lidera com vantagem consistente, mas sem ultrapassar a barreira simbólica dos 40%, o que sinaliza espaço para disputa e movimentações futuras. Lucas Ribeiro consolida-se como principal adversário direto, sustentando um patamar competitivo que o mantém no centro da corrida, enquanto Efraim Filho permanece em um terceiro bloco, distante do segundo colocado, mas ainda relevante no tabuleiro.
A pesquisa também mostra um contingente expressivo de eleitores que ainda não se posicionaram. Os indecisos somam 10,5%, enquanto 5,7% afirmam que pretendem votar em branco, nulo ou em nenhum dos nomes apresentados. Esse recorte indica que mais de 16% do eleitorado ainda não está capturado por nenhuma candidatura, um dado relevante em um cenário que ainda está longe da eleição propriamente dita.
A ausência de Pedro Cunha Lima tem impacto direto na leitura política do levantamento. Sua saída reduz a fragmentação do campo oposicionista e transfere pressão para os nomes que disputam o espaço de oposição ao grupo governista. Ao mesmo tempo, favorece a cristalização de Cícero Lucena como liderança isolada no momento, especialmente pela forte lembrança associada à capital.
Do ponto de vista metodológico, a pesquisa ouviu 1.500 eleitores em 85 municípios entre os dias 20 e 23 de dezembro, o que garante capilaridade territorial e diversidade regional. O levantamento foi realizado pelo Instituto Seta, fundado em 2009, com atuação consolidada em pesquisas de opinião pública e análise político-eleitoral no Nordeste, sob a coordenação do cientista político Daniel Menezes.
Em síntese, o último retrato de 2025 aponta um cenário mais organizado do que nos levantamentos anteriores. Há liderança, há um segundo colocado competitivo e um terceiro que ainda busca viabilidade maior. A disputa entra em 2026 menos difusa, com menos nomes e com linhas de força mais nítidas, ainda que longe de qualquer definição eleitoral.
Por: Napoleão Soares








