O presidente da Câmara Municipal de Rio Tinto, vereador e cacique-geral Potiguara Sandro, deu o tom da abertura dos trabalhos legislativos de 2026 com um discurso de compromisso e cobrança. Ao falar sobre o reinício do ano parlamentar, ele destacou a expectativa de “muito trabalho”, citou o retorno gradual da Casa após a reforma — com melhorias estruturais no plenário e a construção de 11 gabinetes e reforçou o papel do Legislativo: fiscalizar, cobrar e votar projetos que se transformem em benefícios diretos para a população.
Na avaliação de Sandro, 2026 começa com a missão de acelerar demandas do município e garantir que as matérias encaminhadas pelo Executivo avancem com responsabilidade e resultado. “Defender os direitos do povo” foi a expressão que resumiu o espírito da gestão, segundo ele, com foco em obras e políticas públicas que cheguem “na ponta”.
Reunião com o governador: 14 ladeiras, terraplanagem e crise d’água nas aldeias
O momento de maior peso político na entrevista veio quando Sandro detalhou a recente agenda com o governador João Azevêdo e o chefe de Gabinete Ronaldo Guerra, em reunião que contou com lideranças indígenas — “a maioria dos caciques” — e a presença da deputada Danielle do Vale. Mesmo ausente, o deputado Murilo Galdino teria feito contato para reforçar apoio.
Entre as prioridades apresentadas ao Governo do Estado, Sandro colocou como urgente a pavimentação das ladeiras nas aldeias: segundo ele, ainda faltam 14 ladeiras, e o levantamento técnico já foi encaminhado para que o DER faça a avaliação e o governo possa calcular custos. A expectativa, conforme relatou, é de que o governador possa autorizar todas de uma vez.
Outra reivindicação foi a terraplanagem das aldeias, com foco em melhorar acessos e dar suporte à mobilidade interna das comunidades, sobretudo em períodos de chuva, quando o deslocamento se torna mais difícil.
No campo social, Sandro voltou o olhar para um problema que se arrasta e virou rotina em várias localidades: a falta d’água, citando comunidades como Jaraguá, Regina e Montebó. Ele reconheceu ações já realizadas, como perfuração de poço e ampliação de estrutura com apoio da deputada Danielle do Vale e da prefeita Magna Gerbasi, mas afirmou que ainda não foi suficiente para resolver a demanda. Por isso, a Câmara e as lideranças cobraram uma solução definitiva, com articulação junto à Cagepa, a partir de novo levantamento solicitado pelo governador.
Proposta política: Secretaria Indígena no Governo do Estado
Sandro também revelou uma pauta de caráter institucional e histórico: a proposta de criação de uma Secretaria Indígena no âmbito do Governo do Estado. Segundo ele, a iniciativa foi debatida com a deputada Danielle do Vale e apresentada ao governador, que sinalizou disposição para analisar — destacando que a medida envolve custos e estudos técnicos, mas prometendo uma posição em breve.
Com a abertura do ano legislativo e a agenda direta com o Palácio, Sandro reforça a imagem de liderança que transita entre a política municipal e as reivindicações dos povos indígenas, colocando na mesa infraestrutura, água e reconhecimento institucional como prioridades para 2026 em Rio Tinto e nas aldeias Potiguaras.
Por: Napoleão Soares








