A crise política em Cajazeiras ganhou mais um capítulo nesta sexta-feira (3). Depois das duras declarações do ex-prefeito Zé Aldemir, a prefeita Corrinha Delfino (Progressistas) reagiu em entrevista à Rádio Alto Piranhas e deixou claro que não pretende recuar no comando administrativo do município.
Em tom firme, Corrinha afirmou que o assunto do rompimento político com o ex-aliado já está “saturado”, mas decidiu responder às críticas após ser acusada por Zé Aldemir de traição e perseguição política.
A prefeita negou que aceite ser tratada de forma submissa dentro da administração municipal e disse que sua decisão de se afastar politicamente foi tomada para preservar sua paz, sua autonomia e seu patrimônio jurídico e moral.
O ponto mais forte da fala veio quando Corrinha afirmou que não será usada como “laranja” nem como figura decorativa na Prefeitura.
“Uma coisa é ser aliada, combinar e organizar a gestão junto. Outra coisa é tentar ser manipulada ou ser laranja. Eu tenho que resguardar o meu CPF”, declarou.
A prefeita lembrou que é ela quem responde legalmente pelos atos da gestão municipal, inclusive pelas prestações de contas da Prefeitura de Cajazeiras. Segundo Corrinha, ninguém governa por procuração quando a responsabilidade jurídica está no nome do gestor eleito.
“Se alguém pensou que ia indicar meu nome para eu ser um fantasma, está enganado”, afirmou.
A fala funciona como resposta direta ao ex-prefeito Zé Aldemir, que mais cedo havia dito estar frustrado com a ex-aliada e chegou a pedir desculpas à população de Cajazeiras por tê-la apoiado. O médico e ex-gestor afirmou ter sido “apunhalado pelas costas” e acusou a gestão de perseguição.
Corrinha, por sua vez, tentou inverter a narrativa. Em vez de tratar o rompimento apenas como crise política, colocou o debate no campo da responsabilidade administrativa. Para ela, lealdade política não pode significar submissão, e parceria não pode se transformar em tutela.
A prefeita também defendeu que vem trabalhando com honestidade, transparência, austeridade fiscal, salários em dia e responsabilidade na condução da máquina pública. Segundo Corrinha, sua prioridade será manter o foco na gestão, sem se render a pressões externas ou disputas pessoais.
O embate entre Corrinha e Zé Aldemir expõe uma ruptura profunda no grupo que comandou Cajazeiras nos últimos anos. O que antes era aliança virou guerra de versões. De um lado, o ex-prefeito fala em ingratidão e traição. Do outro, a prefeita fala em autonomia, responsabilidade e necessidade de proteger a própria gestão.
No tabuleiro sertanejo, Cajazeiras voltou a ser palco de uma disputa que mistura emoção, poder, memória política e futuro eleitoral. Corrinha mandou o recado com endereço certo: pode até ter chegado à Prefeitura com apoio de um grupo, mas afirma que não governará à sombra de ninguém.
A crise está aberta. E, pelo tom das declarações, ainda está longe de terminar.
Por: Napoleão Soares








