O presidente da Assembleia Legislativa da Paraíba, Adriano Galdino, voltou a mostrar por que segue sendo uma das figuras mais influentes e mais observadas — do tabuleiro político estadual. Em entrevista na manhã desta quarta-feira (14), Galdino reafirmou que seu plano principal é simples e direto: continuar deputado estadual. Mas, ao abrir a porta para outras possibilidades, colocou combustível novo nos bastidores.
“Não vou dizer que não está no meu radar… meu primeiro projeto é continuar deputado estadual”, afirmou, com a calma de quem fala do alto da cadeira mais estratégica do Legislativo. A frase, por si, já sinaliza prioridade. O detalhe que chamou atenção veio logo depois, quando ele admitiu que, “aqui acolá”, acorda com vontade de ir para o Tribunal de Contas e “dar uma parada” na vida pública — “afinal é muito agitada” — lembrando que está com 65 anos.
A fala não foi apenas desabafo. Foi recado com várias leituras.
De um lado, Galdino reforça sua posição de liderança ao manter o foco na reeleição, preservando base, mandato e comando político. De outro, ao mencionar o TCE, ele reconhece — sem dramatizar — que existe um caminho institucional capaz de mudar completamente o ritmo (e o papel) da sua trajetória, trocando o calor das urnas pela estabilidade de uma Corte de Contas.
Mas o ponto que mais movimenta o jogo está na forma como ele encerra: “Eu estou analisando. Quem tem prazo tem tempo… e quem tem tempo pode parar para pensar e decidir mais na frente.” É o tipo de frase que, na política, vale mais do que aparenta. Porque traduz uma estratégia clássica de quem tem peso: não se precipitar, não fechar portas e não entregar o próprio passe antes da hora.
E aí entra o terceiro elemento — o mais quente do momento. Galdino, além de presidente da ALPB e liderança consolidada, é apontado por setores da base como nome que poderia compor uma chapa majoritária em 2026, especialmente na condição de vice no projeto do vice-governador Lucas Ribeiro. Mesmo sem confirmar nada, o simples fato de estar no radar desse desenho já diz muito: Galdino virou peça disputada.
No fim, o presidente da Assembleia deixa o cenário com três caminhos abertos e todos com impacto real:
Reeleição (plano A declarado): mantém mandato, musculatura eleitoral e comando no Legislativo.
TCE (possibilidade lembrada com naturalidade): uma rota de “pit stop” institucional para quem fala em reduzir o ritmo.
Composição majoritária (opção que corre nos bastidores): um movimento que o colocaria no coração do projeto governista de 2026.
No estilo Galdino, sem pressa e sem amarrar o futuro, a mensagem ficou clara: quem tem tempo escolhe melhor e, na Paraíba, poucos têm tantas opções sobre a mesa quanto o presidente da Assembleia neste momento.
Por: Napoleão Soares








