A disputa em Cabedelo ganhou um novo e explosivo capítulo. Três dias depois da eleição suplementar do domingo, 12 de abril, o ex-candidato a prefeito Walber Virgolino (PL) ingressou com uma Ação de Investigação Judicial Eleitoral (AIJE) para tentar impedir a diplomação do prefeito eleito Edvaldo Neto (Avante) e do vice Evilásio Cavalcanti Neto, levando o embate das urnas diretamente para o campo judicial.
O movimento ocorre na esteira da Operação Cítrico, deflagrada pela Polícia Federal, pelo Ministério Público da Paraíba e pela Controladoria-Geral da União, que investiga um suposto esquema de fraudes em licitações, desvio de recursos públicos e lavagem de dinheiro, com contratos sob investigação que podem chegar a R$ 270 milhões. No curso da operação, Edvaldo foi afastado cautelarmente do cargo que exercia interinamente na prefeitura.
Segundo o advogado Saul Barros, que representa Walber, a AIJE pede a cassação da chapa por suposto abuso de poder político e econômico, além de requerer, em caráter liminar, a suspensão da diplomação e da posse dos eleitos. A ação aprofunda a pressão sobre a chapa vencedora e acrescenta um novo componente à já delicada crise institucional vivida por Cabedelo.
No plano jurídico, o TRE-PB já esclareceu que o afastamento de Edvaldo não foi determinado pela Justiça Eleitoral e que eventuais efeitos eleitorais do caso, inclusive sobre diplomação, só serão analisados no processo próprio, pela autoridade competente, quando provocada. Na prática, isso significa que o caso agora entra em uma nova fase: a da batalha formal pelo destino político da chapa eleita.
Cabedelo, mais uma vez, troca a estabilidade prometida nas urnas por um cenário de incerteza. O que era para ser o encerramento de uma eleição suplementar virou um confronto de alta voltagem entre investigação criminal, disputa eleitoral e crise institucional — um retrato duro de uma cidade que segue refém da turbulência política.
Por: Napoleão Soares








