Roberto Paulino não é apenas um filiado do MDB, é, para muitos, um capítulo vivo da história do partido na Paraíba. E foi justamente por isso que a declaração dada nesta sexta-feira (9), em entrevista à Rádio CBN João Pessoa, caiu como pedra no lago: o ex-governador confirmou que permanece no MDB, mas declarou apoio à pré-candidatura de Lucas Ribeiro ao Governo do Estado.
O gesto tem duas leituras e as duas pesam.
A primeira é de identidade: Paulino deixa claro que não pretende romper com uma legenda à qual está ligado há décadas e onde construiu a própria trajetória. A segunda é de estratégia: ao anunciar apoio a Lucas, ele sinaliza alinhamento com o grupo que hoje comanda o Executivo estadual, reposicionando o debate interno no MDB em pleno aquecimento do tabuleiro de 2026.
O incômodo com Cícero e a decisão de “ficar sem seguir”
O pano de fundo é conhecido nos bastidores: nos meses recentes, Paulino demonstrou desconforto com a chegada do prefeito de João Pessoa, Cícero Lucena, ao MDB — filiação costurada com o aval do senador Veneziano Vital do Rêgo, presidente estadual do partido.
Cícero desembarcou no MDB após o rompimento com o grupo do governador João Azevêdo, e a entrada do prefeito mexeu com o eixo interno da legenda, especialmente em redutos tradicionais, como Guarabira, onde Paulino tem base sólida e capital político histórico.
Agora, Roberto faz a escolha mais “cirúrgica” que existe na política: não sai do partido, mas não compra a candidatura que está dentro dele. Na prática, ele tenta preservar o que construiu e, ao mesmo tempo, marcar posição no jogo majoritário.
Guarabira, os Paulino e o peso regional
Quando Roberto Paulino fala, Guarabira ouve. Ex-governador, ex-deputado, liderança consolidada na Rainha do Brejo, ele representa um grupo com musculatura e memória eleitoral. E o sobrenome Paulino segue no radar: seu filho, Raniery Paulino, já foi deputado estadual por vários mandatos e hoje é suplente de deputado federal, mantendo o grupo ativo e com presença na região.
O que esse movimento significa para 2026
Roberto Paulino escolheu o caminho menos barulhento e mais eficiente: não criou ruptura, mas criou fato. E, na política paraibana, quando um emedebista raiz diz “eu fico”, mas aponta “meu candidato é outro”, a mensagem vem carregada de entrelinhas.
Por Napoleão Soares








