Há decisões que não rendem aplausos fáceis, mas revelam liderança. O cancelamento da programação festiva da tradicional Festa de Santa Rita de Cássia, em Rio Tinto, é uma dessas escolhas difíceis que separam a política de espetáculo da gestão de verdade.
A prefeita Magna Gerbasi decidiu suspender os shows dos dias 21 e 22 de maio, mantendo a parte religiosa da festa, como missas, novenário e procissão. A medida foi tomada em meio à situação de emergência provocada pelas fortes chuvas, enchentes e cheia do Rio Mamanguape, que afetaram milhares de pessoas no município, segundo informações divulgadas pela imprensa paraibana.
Rio Tinto não vive um momento de normalidade. Há famílias atingidas, comunidades impactadas, áreas em monitoramento e uma cidade que precisa concentrar energia, recursos e atenção na recuperação. Nesse cenário, insistir em festa de grande porte poderia até agradar momentaneamente, mas dificilmente seria compreendido como prioridade administrativa.
Magna fez o que a experiência ensina: primeiro o povo, depois o palco. Primeiro a assistência, depois a celebração. Primeiro a responsabilidade, depois a conveniência política.
E é justamente aí que aparece o peso de quem conhece a máquina pública. Magna está em novo mandato à frente de Rio Tinto, e a própria Prefeitura registra sua trajetória em diferentes períodos de gestão, incluindo os mandatos de 2005 a 2008, 2009 a 2012, 2021 a 2024 e o atual ciclo de 2025 a 2028. Não se atravessa tanto tempo na vida pública por acaso. Há erros, acertos, desgaste e cobrança, mas também há leitura de cenário.
A Festa de Santa Rita é tradição, fé, cultura e memória afetiva do povo rio-tintense. Mas a tradição não foi abandonada. A programação religiosa foi preservada. O que se suspendeu foi o gasto público com estrutura festiva em um momento em que a cidade exige cuidado, reconstrução e presença do poder público nas áreas mais atingidas.
Foi uma decisão dura, mas defensável. Uma decisão impopular para alguns, mas necessária diante da realidade. A maturidade política está justamente nisso: entender que governar não é fazer sempre o que dá mais aplauso; é fazer o que o momento exige.
Em Rio Tinto, Magna Gerbasi mostrou que liderança também é saber dizer “não” quando o “sim” seria mais fácil. E, diante da água que invadiu ruas, casas, comunidades e preocupações, a prefeita optou por colocar a gestão no lugar certo: ao lado das famílias.
No fim, a festa pode esperar. O povo, não.
Por: Napoleão Soares








