Na política, há visitas que são apenas agenda. E há presenças que viram memória. A passagem de Ricardo Coutinho pela Baía da Traição, neste Dia dos Povos Indígenas, pertence ao segundo grupo. Em solo sagrado Potiguara, o ex-governador e pré-candidato a deputado federal voltou a um território onde sua história política não começou agora, nem depende de mandato para existir.
Ricardo não chegou à Baía da Traição como visitante de ocasião. Chegou como alguém que, ao longo dos anos, construiu uma relação de respeito com os povos Potiguara e Tabajara. Ainda quando governador, ele fez questão de participar das celebrações indígenas e levou o tema para dentro da agenda pública do Estado. Em 2012, por exemplo, o próprio Governo da Paraíba registrou sua ida à aldeia São Francisco como continuidade de uma presença iniciada no ano anterior, quando se tornou o primeiro governante a participar das comemorações do Dia do Índio no território Potiguara.
Esse é o ponto que diferencia gesto de compromisso. Ricardo poderia ter feito política apenas no discurso. Preferiu marcar presença com ações. Durante sua gestão, foram registradas obras e iniciativas voltadas aos territórios indígenas e à região da Baía da Traição, como a pavimentação de acessos a aldeias Potiguaras, a ponte sobre o Rio Sinimbu beneficiando especialmente a aldeia São Miguel, além de ações de infraestrutura em Baía da Traição e Rio Tinto.
Na entrevista hoje em solo sagrado, Ricardo foi direto ao lembrar que não vai à Baía da Traição para transformar o 19 de abril em palanque. Vai porque reconhece naquele chão a raiz do Brasil, a resistência dos povos originários e uma luta que atravessa séculos. Ao falar dos Potiguara e Tabajara, ele destacou respeito, presença e compromisso com políticas públicas que possam fortalecer essas comunidades.
É claro que Ricardo faz política. Todo homem público faz. Mas existe diferença entre fazer política usando uma causa e fazer política tendo história com ela. No caso dos povos indígenas da Paraíba, especialmente na Baía da Traição, Ricardo carrega um legado que pode ser discutido, avaliado e até contestado pelos adversários, mas não pode ser simplesmente apagado.
Sua presença neste Dia dos Povos Indígenas reacende uma verdade simples: os povos originários não precisam apenas de homenagem em data simbólica. Precisam de respeito, território, estrada, escola, saúde, produção, cultura viva e reconhecimento institucional. E foi nessa linha que Ricardo buscou se recolocar: não como quem chega para descobrir uma causa, mas como quem volta a um lugar onde já deixou marcas.
No fim, a Baía da Traição não recebeu apenas um pré-candidato. Recebeu um ex-governador que sabe que a história dos povos indígenas não cabe em fotografia de calendário. É luta, memória, resistência e dignidade. E, para quem conhece a trajetória de Ricardo com os Potiguara, sua presença ali tem peso, tem coerência e tem significado político.

Por: Napoleão Soares








