Em momentos de queda de popularidade de governos, a reação imediata costuma ser a contratação de marqueteiros e estrategistas de comunicação para “mudar o jogo”. Foi assim em outros momentos com a entrada de Sérgio Fausto, João Santana, Chico Santa Cruz, Lula Guimarães e, mais recentemente, Sidônio Palmeira; desta vez no governo Lula. Mas a pergunta que precisa ser feita é: até onde a comunicação consegue sustentar a aprovação de um governo cujas entregas não estão sendo percebidas ou cujas prioridades estão desalinhadas com as demandas da população?
Nos bastidores da política brasileira, costuma-se dizer que não há rejeição que resista a uma boa campanha. E, por vezes, isso até se confirma. Mas a atual crise de imagem enfrentada pelo governo Lula coloca em xeque essa máxima.
As constantes quedas nos índices de aprovação do Governo Lula; com pesquisas apontando até 56% de reprovação, provocou uma reação típica: o reforço na equipe de comunicação. Para isso, recorreu-se em janeiro a um nome de peso, Sidônio Palmeira, estrategista experiente que já atuou em campanhas presidenciais, inclusive foi o responsável pela campanha eleitoral do Presidente nas eleições de 2022.
Mas o cenário não mudou. A situação parece ter piorado. E talvez isso revele uma verdade incômoda, que nem todos os profissionais que atuam na área do marketing estão preparados para aceitar: nem sempre o marketing político resolve. E nem sempre o problema é de comunicação.
O marketing é poderoso na construção de imagem e no reposicionamento de discursos. Mas ele é uma lente, não a paisagem. Se o que está sendo vivido pela população é diferente do que está sendo dito, o resultado será mais frustração. A população atual é mais crítica, informada, conectada e desconfiada. A comunicação que não se ancora em fatos concretos vira ruído. Sendo mais claro; não serve.
A população sente na pele o aumento do custo de vida, teme pela segurança e observa com ceticismo as promessas que parecem distantes da realidade. Não há slogan que esconda uma mesa vazia. Não há narrativa que compense a ausência de políticas públicas eficazes.
A comunicação é uma ferramenta valiosa quando atua como tradutora das ações de governo, e não como substituta delas. Quando usada apenas como maquiagem de uma gestão que não entrega, a comunicação perde poder e credibilidade.
Mais do que marqueteiros, governos precisam de escuta, coerência e coragem para ajustar rotas. E, só depois disso, comunicar com verdade.
Porque no fim, o eleitor pode até ser convencido por campanhas publicitárias bonitas, mas só permanece ao lado de quem entrega o que promete e resolve os problemas que atingem sua vida.
Dessa maneira, não há muito o que ser feito. Também não é necessário inventar a roda. Vários cases mostram que o caminho mais assertivo não é apenas investir na comunicação, mas posicioná-la como uma ferramenta de escuta, transparência e reaproximação com a sociedade. Mais do que vender feitos, é hora de ouvir, ajustar rotas e comunicar decisões com base em evidências, empatia e verdade.
A comunicação pode potencializar um bom governo, mas não pode ser a solução para um governo que não está atendendo às expectativas do povo. Sidônio Palmeira, com toda sua experiência, pode até redesenhar narrativas, mas só a realidade pode convencer.
*Júnior Campos é consultor em comunicação e marketing político; já atuou em mais de 30 campanhas eleitorais, é assessor em comunicação; Radialista; Treinador de oratória política, Palestrante e membro do CAMP.
Instagram/LinkedIn: @juniorcamposconsultor