A guerra comercial entre EUA e China vai impactar o Brasil com consequências opostas para a indústria e para a agricultura.
Um primeiro levantamento realizado a partir das tarifas anunciadas por Donald Trump e a retaliação da China conclui que existe um risco real de desindustrialização para a economia brasileira
Na quarta-feira, Trump anunciou a imposição de tarifas para 185 países. No caso do Brasil, as taxas extras serão de 10% e entrarão em vigor neste fim de semana. Mas a China, que foi sobretaxada em 34%, retaliou e aplicou a todos os produtos americanos tarifas de também 34%.
A guerra comercial fez os mercados desabarem e até o Federal Reserve Bank alertou que o impacto seria sentido na taxa de crescimento da economia americana.
Agricultura brasileira tem chance de ganhar US$ 4,8 bilhões, diz estudo
Agora, um estudo realizado na Universidade Federal de Minas Gerais constatou que o Brasil deve ver um aumento das exportações agrícolas em cerca de US$ 4,8 bilhões, principalmente por conta do avanço da soja.
Com a aplicação das tarifas da China sobre os produtos americanos, um dos efeitos será o deslocamento de alguns setores, sendo substituídos prioritariamente pelo Brasil.
Perda com exportações da indústria é estimada em US$ 3,5 bilhões
Edson Domingues, principal autor do estudo e professor do Departamento de Ciências Econômicas da UFMG, destaca que se o campo ganha, o efeito é radicalmente diferente no setor industrial. A queda das exportações de manufaturas do Brasil será de US$ 3,5 bilhões.
O mercado americano é considerado como um dos principais destinos desses setores. Em autopeças, por exemplo, a tarifa deve ser ainda maior, de 25%. O segmento exporta anualmente mais de US$ 1 bilhão ao mercado americano.
De uma forma geral, além da queda de exportações, a indústria verá um tombo na produção de US$ 5 bilhões.
Outro setor que perderá é o de serviços, com uma queda de vendas de US$ 500 milhões.
Segundo o autor do estudo, dos 46 produtos e segmentos analisados, apenas seis deles terão ganhos com a guerra comercial.
De uma forma geral, o Brasil ainda terá um pequeno saldo positivo de US$ 400 milhões em exportações com a disputa entre americanos e chineses. Já o PIB terá uma alta de US$ 350 milhões.
“Se não fosse pela retaliação chinesa, o Brasil teria um resultado negativo com as tarifas de Trump”, analisou o acadêmico, que também faz parte do Centro de Desenvolvimento e Planejamento Regional (Cedeplar).
Economia dos EUA será maior perdedora
No mundo, a estimativa de seu modelo é de que o fluxo de comércio global sofrerá uma perda de US$ 600 bilhões. O PIB mundial ainda perderá US$ 130 bilhões.
A maior prejudicada, segundo o levantamento, será a economia americana, com prejuízos de US$ 93 bilhões. O estudo contradiz a narrativa de Trump, que insiste em vender a ideia de que as tarifas vão relançar a industrialização americana.
A China, porém, também irá perder. O levantamento estimou esse prejuízo em US$ 30 bilhões.
UOL