Enquanto a Paraíba entra no modo “pré-temporada de 2026”, o deputado federal Wilson Santiago (Republicanos) escolheu um elogio com palavras bem medidas para definir o governador João Azevêdo (PSB): “excelente gestor”, mas com pouca disposição para o jogo miúdo da política.
Em entrevista ao Arapuan Verdade (Rádio Arapuan FM), Santiago desenhou o retrato de um governador que, na visão dele, entregou obras e números, mas deixou parte da classe política em modo de reclamação. O motivo, segundo o parlamentar, seria o estilo “sem promessa impossível” de João — uma postura que acalma o eleitor e irrita o aliado que vive de expectativa.
“Fez pouca política… Quem faz pouca política tem algumas insatisfações na classe política”, disparou Santiago, antes de completar que, com o povo, o governador estaria “extremamente bem avaliado”.
Na prática, a fala funciona como duas mensagens em uma. A primeira é o selo de competência administrativa: João como gestor que “fala pouco e faz muito”. A segunda é o aviso, com sorriso de canto de boca: quem não alimenta a máquina do varejo político paga pedágio na relação com a base — ainda que isso, paradoxalmente, reforce uma imagem de seriedade diante do eleitor.
Santiago também apostou alto no próximo capítulo: a pré-candidatura de João Azevêdo ao Senado, prevista para abril, seria — na leitura do deputado — um caminho “sem grandes sustos”. Ele afirmou que o governador teria apoio da maioria dos prefeitos, citando “mais de 120, facilmente”, e foi direto ao ponto: “Não encontrará dificuldade para se eleger senador da Paraíba”, segundo suas palavras.
A engrenagem de abril e o “efeito dominó” na base
Por trás do elogio público, corre o roteiro já conhecido nos bastidores: a saída de João do governo, prevista para 2 de abril de 2026, abre espaço para o vice Lucas Ribeiro (PP) assumir e carimbar a caneta como titular — com o objetivo de consolidar o projeto de continuidade do grupo.
E, para completar a equação eleitoral, o tabuleiro governista desenha um equilíbrio de forças: Lucas ao Governo, e, no Senado, além de João, o nome do prefeito de Patos, Nabor Wanderley (Republicanos), surge como peça de composição para amarrar interior e capital numa mesma fotografia.
No fim das contas, Santiago fez o que a política adora: elogio com recado. Azevêdo sai valorizado como administrador, mas a observação sobre “pouca política” lembra que, em ano eleitoral, gestão ganha voto e articulação evita incêndio.
Por: Napoleão Soares










