Num tempo em que a política, tantas vezes, parece trocar convicção por conveniência, a relação entre o grupo de Itapororoca e o senador Efraim Filho chama atenção por um traço cada vez mais raro na vida pública: continuidade. Não se trata de uma aliança de ocasião, nem de uma aproximação fabricada às pressas por interesse eleitoral. É uma construção política que atravessa anos, resiste às mudanças de cenário e se sustenta em algo que anda em falta no mundo do poder: gratidão com memória.
A aproximação ficou ainda mais visível em 2024, quando Efraim Morais, em nome de Efraim Filho e George Morais, confirmou apoio a Batista Torres e ressaltou a confiança depositada em Celso Morais. Desde então, o vínculo não arrefeceu. Em 2025, Batista voltou a tratar Efraim como nome forte para o governo, e em 2026 confirmou presença no ato de filiação do senador ao PL, sendo descrito como aliado de primeira hora do projeto estadual. O vice-prefeito Celso Morais também expôs publicamente o alinhamento do grupo com Efraim para o governo e com George na disputa proporcional.
Há, evidentemente, uma dimensão política nessa fidelidade. Mas há também uma dimensão concreta, prática, administrativa. Em 2025, o blog registrou pelo menos mais de R$ 2,7 milhões destinados por Efraim para Itapororoca em dezembro e quase R$ 1,5 milhão em outra destinação noticiada no mesmo ano. Além disso, segundo o próprio senador, Itapororoca teria recebido cerca de R$ 30 milhões em recursos ligados à sua atuação em áreas como saúde, educação, infraestrutura, esporte, agricultura e assistência social.
É nesse ponto que a aliança deixa de ser apenas discurso e passa a ser memória concreta para a cidade. Quando apoio político se encontra com resultado administrativo, a parceria ganha lastro. E é justamente isso que ajuda a explicar por que, em Itapororoca, Efraim é tratado pelo grupo de Batista e Celso como o maior benfeitor da história política do município — definição que já apareceu publicamente em falas e registros ligados ao prefeito.
No fundo, o que existe hoje entre Batista, Celso e Efraim vai além de uma fotografia de pré-campanha. É um tipo de relação que transmite ao eleitor uma mensagem simples e poderosa: ainda há quem prefira retribuir presença com presença, ajuda com lealdade, gesto com compromisso. Num ambiente em que muitos só permanecem perto do poder enquanto ele é útil, casos assim acabam chamando atenção justamente porque fogem à regra.
Também não é detalhe o fato de Batista ter sido um dos primeiros prefeitos da Paraíba a dizer “sim” ao projeto de Efraim para o Governo do Estado. Isso mostra que, em Itapororoca, a fidelidade não nasceu da conveniência do agora, mas de uma relação política amadurecida no tempo, reforçada por resultados e preservada mesmo quando o cenário exigia escolhas.
Num mundo político marcado por rivalidades apressadas, ingratidões convenientes e amizades com prazo de validade, Itapororoca oferece um exemplo raro: o de uma parceria em que amizade, confiança e reconhecimento ainda caminham lado a lado. E talvez seja exatamente por isso que essa história diga tanto sobre o presente da política — porque lembra que, quando a gratidão resiste, a aliança deixa de ser apenas eleitoral e passa a ser também humana.
Por: Napoleão Soares









