
O provável retorno do ex-senador Ney Suassuna às disputas eleitorais na Paraíba – anunciada para ano vindouro (2018) – mexe em todo cenário atual, descaracterizando projeções sobre as chapas majoritárias, em curso de negociações ou “acomodações”.
O regresso de Ney e sua pretensão de ser companheiro de chapa do governador Ricardo Coutinho para o Senado Federal – como segunda opção – abala os alicerces da dissidência do PMDB-PB comandada pelo vice-prefeito Manoel Júnior, ora “costurando” união de Romero Rodrigues/Luciano Cartaxo. Romero, como pré-candidato ao Governo, tem avançado, conquistando “direito de preferência” de 70 prefeitos espalhados pelas mais diversas regiões do Estado.
Mas, surge este fato novo…
Ontem (24.07.2017) o ex-prefeito de Campina Grande Veneziano Vital do Rego postou nas redes sociais sua “indisposição” em compor qualquer chapa majoritária com vistas ao pleito do ano vindouro. Trabalhará para retornar à Câmara dos Deputados. Acontecimento especulativo que não passa despercebido pela crônica política, por Veneziano ser aliado do governador Ricardo Coutinho, e se alimentava do sonho de ser candidato a sua sucessão, com seu apoio. Porém, sua mãe Nilda Gondim “coincidentemente” é suplente do cacique-mor do PMDB-PB, José Maranhão, que pode ser candidato ao Governo, sem perder seu atual mandato.
O que faltava para que Ricardo Coutinho e José Maranhão se aproximassem, e juntos formassem uma chapa com vistas a 2018, era um elemento “catalisador”: Ney Suassuna. Dispensa-se rememorar sua ousadia e determinação revelada quando esteve no Senado da República, conseguindo inclusive viabilizar sua estada como ministro da Integração Nacional.
O senador José Maranhão é uma das grandes reservas históricas do PMDB nacional. Já foi presidente do OGU (Orçamento Geral da União), da CCJ do Senado, onde se destacou no cruciante momento do impeachment da Presidente Dilma Rousseff. Governou a Paraíba por três vezes; tem provado lealdade e fidelidade à legenda, mas nunca foi aceito pelos líderes Renan Calheiros e Romero Jucá. Não que lhes falte capacidade, lhes sobre honestidade e sinceridade, requisitos que impedem seu acesso a este “núcleo”. É injustificável terem posto em seu lugar, para liderar O PMDB do Senado, um suplente em exercício desprovido de apoio popular e votos: Raimundo Lira. Este gesto, de uma grosseria imensurável, talvez tenha desencantado José Maranhão com o PMDB do Senado, ensejando uma tentativa de voltar ao Palácio da Redenção.
Se o temor de Ricardo Coutinho assentar-se na preocupação do esfacelamento de suas bases, e descontinuidade de seus programas, este pré-requisito qualifica Maranhão. Em seu currículo partidário não existe registro de traições. Quanto a Ney Suassuna – excelente calculador de riscos – deve ter observado que nos dois últimos pleitos majoritários na Paraíba, Ricardo Coutinho foi campeão de votos. E, com a gestão equilibrada que vem realizando, poderá “estourar” nas urnas, com Maranhão para o Governo e Ney sendo “puxado” pelos dois para o Senado. Esta eventual possibilidade, se materializada, indiscutivelmente ameaçará a renovação do mandato do senador Cássio Cunha Lima, que nesta conjuntura pode reinterpretar o papel do ex-governador Wilson Braga (eleições 1986) quando “sobrou na curva” com a chapa fechada Burity e Humberto, puxando Raimundo Lira.
Da Redação com Júnior Gurgel ( a palavra online)










