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Brasil melhora em 71% dos indicadores de desigualdade, mas concentração de renda aumenta, mostra pesquisa

Dados do Observatório Brasileiro das Desigualdades aponta avanços em áreas como desmatamento e insegurança alimentar, mas diferença na renda do 1% e 50% mais pobres

Napoleão Soares Por Napoleão Soares
12/08/2026
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Brasil melhora em 71% dos indicadores de desigualdade, mas concentração de renda aumenta, mostra pesquisa

Dados do relatório do Observatório Brasileiro das Desigualdades de 2026, elaborado pelo Pacto Nacional pelo Combate às Desigualdades, indicam que o Brasil registrou avanços importantes em diversas áreas. Dos 48 indicadores monitorados pela iniciativa, 71% tiveram melhora. Os avanços são em áreas como combate ao desmatamento, desemprego, redução da pobreza, homicídios entre jovens, segurança alimentar e educação.

Outros 13% indicadores permaneceram em nível estável, sem mudanças significativas. E 16% dos registraram piora. O principal retrocesso foi no número de pessoas que vivem em áreas de risco de deslizamento e tragédias climáticas. Problemas históricos como a concentração de renda persistem no país em nível elevado.

Veja alguns dos principais avanços:

  • Área de desmatamento. O país registrou uma redução expressiva no desmatamento. Após atingir um pico de 2,1 milhões de hectares desmatados em 2022, a área desmatada caiu para 984,8 mil hectares em 2025, uma redução de 53,4% em relação ao maior nível da série histórica, segundo dados do Mapbiomas.
  • Emissão de gases de efeito estufa por uso de terra e florestas. O volume de emissões decorrente desses usos teve uma redução de 32,5% entre 2023 e 2024, o dado mais recente, passando de 1,34 bilhão de toneladas de CO2 para 905,6 milhões, de acordo com informações do Observatório do Clima.
  • Insegurança alimentar. A proporção de brasileiros que vivem em domicílios com insegurança alimentar moderada ou grave caiu de 9,5% em 2023 para 7,7% em 2024. A queda foi mais expressiva entre a população negra, com diminuição de 12,2% para 9,7% para homens negros e de 12,5% para 10% entre mulheres negras, de acordo com o IBGE.
  • Homicídios entre jovens de 15 a 29 anos. Os homicídios entre jovens caíram de 49,7 casos a cada 100 mil habitantes para 41,9, entre 2021 e 2024, uma redução de 15,7%, segundo dados compilados pelo Observatório.
  • Desemprego. A taxa de desocupação no país caiu de 6,6% em 2024 para 5,6% em 2025. A queda foi mais acentuada entre as mulheres, saindo de 8,1% para 6,9% no mesmo período. Os dados, no entanto, mostram que as taxas de desemprego entre a população negra são mais críticas. O nível de desemprego entre mulheres negras, por exemplo, foi registrado em 8,5%, enquanto entre homens não negros era de 3,8%, de acordo com dados do IBGE.

Destaques negativos

  • População exposta a risco geológico. O número de pessoas vivendo em áreas com risco de deslizamentos e tragédias climáticas cresceu no país. Em 2025, foram registrados 4,36 milhões de pessoas nessas condições, enquanto em 2026 o número subiu 7%, chegando a 4,67 milhões, de acordo com o Serviço Geológico do Brasil.
  • Os dados revelam ainda que houve uma expansão das áreas de risco existentes, e não um adensamento em áreas já existentes. Hoje, o país conta com 17 mil áreas de risco geológico, a maioria delas ocupadas por pessoas em situação de vulnerabilidade.
  • Mortalidade materna. Após queda no pós-pandemia, os óbitos maternos subiram, passando de 52,2 casos a cada 100 mil nascidos vivos em 2023 para 55,5 em 2024. O cenário mais crítico foi registrado em Roraima, com 132,3 mortes a cada 100 mil nascidos, de acordo com dados do Ministério da Saúde.
  • Concentração de renda. O rendimento médio da faixa do 1% mais rico do Brasil era, em 2024, 30,2 vezes maior que o dos 50% mais pobres. Esse indicador aumentou para 31,5 vezes em 2025, de acordo com dados do IBGE.

O documento também aponta “desafios persistentes” no cenário brasileiro dentro dos indicadores que apresentaram melhoras. O rendimento médio mensal dos brasileiros, por exemplo, apresentou melhora de 5,3% entre 2024 e 2025, atingindo R$ 3.376.

Dentro desse dado, no entanto, o rendimento das mulheres negras cresceu abaixo da média nacional e em um ritmo inferior ao crescimento da renda dos homens não negros. As mulheres negras seguem tendo os menores rendimentos médios do país, com R$ 2.184 no ano passado

Sobre os indicadores que permanecerem estáveis, como a escolarização no ensino fundamental, a taxa de feminicídio, o acesso à internet e a progressividade da tributação de renda, os pesquisadores ressaltam a necessidade de políticas públicas mais consistentes para que essas áreas produzam mudanças significativas.

“Em conjunto, os resultados mostram que o país avançou na ampliação das condições de vida da população, mas ainda encontra dificuldades para reduzir as desigualdades que estruturam a sociedade brasileira. O crescimento do emprego, da renda e do acesso a direitos foi acompanhado pela manutenção — e, em alguns casos, pelo agravamento — das disparidades de renda, raça, gênero, moradia e território”, diz o Observatório.

O Globo

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