Na política, principalmente nos momentos decisivos, lealdade ainda conta. E a escolha do deputado estadual Chico Mendes para a primeira suplência de João Azevêdo ao Senado pode ser entendida também por esse prisma: é o reconhecimento a alguém que esteve ao lado do projeto quando era preciso estar.
Chico não chegou agora. Não apareceu na fotografia apenas quando o cenário ficou favorável. Durante o governo João Azevêdo, assumiu uma das funções politicamente mais delicadas da Assembleia Legislativa: a liderança do Governo. Coube a ele dialogar com deputados, defender projetos, administrar divergências e servir de ponte entre o Legislativo e o Executivo.
Isso significa também construir relação com secretários, auxiliares e diferentes setores da administração. É uma posição que exige confiança. E confiança política não nasce de um discurso feito na véspera de uma eleição. É construída na convivência, nas crises, nas votações difíceis e, sobretudo, na capacidade de permanecer ao lado de um projeto.
Chico fez isso.
Sua trajetória, porém, começou muito antes da Assembleia. Empresário e empreendedor, construiu uma carreira política profundamente vinculada ao Sertão e a São José de Piranhas, município que administrou antes de chegar ao Legislativo estadual.
É justamente essa combinação que dá significado político à escolha feita por João Azevêdo. Chico conhece a realidade de quem administra uma cidade pequena, conhece as limitações dos municípios do interior, conhece o ambiente empresarial e conhece, agora, por dentro, o funcionamento do Governo e do Parlamento.
Nesta terça-feira, 11 de agosto, João confirmou Chico Mendes como primeiro suplente em sua candidatura ao Senado, tendo Roberto Franca como segundo suplente. Não parece uma escolha improvisada. Há uma história política por trás dela.
E há também um componente regional que não deve ser desprezado.
Durante décadas, o Sertão paraibano produziu lideranças de enorme peso, mas continua alimentando o desejo de ampliar sua presença nos espaços mais altos de representação política do Estado. A primeira suplência coloca Chico Mendes numa posição inédita em sua trajetória e abre uma perspectiva simbólica importante para toda a região.
Se João Azevêdo for eleito, Chico estará na primeira linha sucessória do mandato senatorial. Isso não significa que automaticamente se tornará senador, evidentemente. Mas significa que um político profundamente identificado com o Alto Sertão estará a uma circunstância constitucional de ocupar uma das três cadeiras da Paraíba no Senado Federal.
Para Cajazeiras, São José de Piranhas e dezenas de municípios sertanejos, isso tem peso.
Chico chega a essa posição carregando algo que, na política, vale tanto quanto currículo: relação. Tem interlocução com prefeitos, deputados, lideranças municipais e com o núcleo político que conduziu o Governo João Azevêdo. E chega, sobretudo, sem precisar explicar onde estava nos momentos mais importantes do projeto político ao qual decidiu pertencer.
Estava lá.
Talvez seja esse o principal significado da escolha. João Azevêdo não buscou apenas um nome para preencher formalmente uma suplência. Escolheu alguém que participou do seu governo, defendeu sua gestão no Parlamento e construiu uma trajetória política própria no Sertão.
Para Chico Mendes, é mais um degrau numa caminhada que passou pela vida empresarial, pela política municipal, pela Prefeitura e pela Assembleia Legislativa.
Para o Sertão, é a oportunidade de olhar para uma chapa ao Senado e enxergar nela um dos seus.
E, na política, representação também começa assim: com a sensação de que alguém que conhece nossa terra, nossas dificuldades e nossa gente finalmente chegou mais perto de um lugar de onde poderá defendê-las.
Por: Napoleão Soares









