A presidente do Podemos, deputada Renata Abreu (SP), anunciou nesta terça-feira que o partido vai ficar neutro na eleição à Presidência, apesar da investida do presidenciável Flávio Bolsonaro (PL) nos últimos dias para atrair o partido para sua candidatura.
– Depois de ouvir o partido de norte a sul, de construir essa decisão de forma coletiva, que o Podemos definiu permanecer neutro na disputa presidencial. Essa posição representa milhões de brasileiros que não aguentam mais ver a divisão ocupar o lugar da união, ver o confronto ocupar o lugar do diálogo e ver a polarização ocupar o lugar das soluções – disse a presidente da legenda em vídeo divulgado nas redes sociais.
A decisão de se manter neutro na disputa frustra expectativas de aliados de Flávio e se soma a outras negativas de partidos nos últimos dias ao senador do Rio de Janeiro. A federação União Brasil-PP já anunciou a neutralidade na disputa, e o Republicanos fez o mesmo.
O cenário deixa Flávio isolado. Ele chega à reta final das convenções partidárias sem ter definido um candidato a vice para sua chapa e com dificuldades para ampliar seu rol de alianças. O candidato declarou que deve definir sua candidatura a vice até o dia 15 de agosto, prazo final para alteração e registro final de candidaturas.
Aliados do senador apostavam nessas alianças com outras legendas para aumentar o tempo de televisão do candidato. Hoje ele terá menos tempo do que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que busca a reeleição.
De acordo com relatos, interlocutores de Flávio buscaram Renata Abreu nos últimos dias para sondá-la a se aliar ao senador. Nas conversas, foi inclusive sinalizado a possibilidade de ela integrar a chapa como vice dele.
A partir dessa primeira conversa, Renata Abreu passou a procurar os presidentes dos diretórios estaduais do Podemos para consultá-los. No entanto, ela decidiu concorrer à reeleição como deputada.
Integrantes do Podemos avaliam que o partido não pode se comprometer com um apoio ao candidato do PL porque tem aliança com o PT em alguns estados, como no Ceará e no Piauí.
A neutralidade do Podemos representa mais um revés para a campanha de Flávio.
O candidato do PL se reuniu com o presidente do Republicanos, Marcos Pereira, nessa segunda-feira e o dirigente partidário comunicou que a maioria dos diretórios estaduais da sigla vai optar pela neutralidade. A convenção do Republicanos, realizada na manhã desta terça, confirmou a recusa da aliança com Flávio.
O candidato do PL tinha como desejo ter a ex-presidente da Caixa Daniella Marques (Republicanos) ou a senadora Tereza Cristina (PP-MS) como candidatas a vice, mas as articulações foram inviabilizadas pelos partidos.
Com a dificuldade em formar alianças, Flávio deve chegar na eleição com uma chapa “puro-sangue” do PL.
O Globo








