A eliminação do Brasil para a Noruega não pode ser tratada como acidente. O placar de 2 a 1, com dois gols de Haaland e Neymar descontando de pênalti, apenas confirmou o que a Seleção já vinha mostrando ao longo da Copa: um time sem intensidade, sem identidade e, pior, sem a alma competitiva que historicamente separava o Brasil dos demais.
Carlo Ancelotti chegou cercado de expectativa, currículo e respeito mundial. Mas, dentro de campo, a Seleção nunca pareceu ter uma ideia clara. A marcação frouxa, vista durante praticamente toda a campanha, voltou a aparecer no momento mais decisivo. O Brasil olhava demais, pressionava pouco e dava ao adversário tempo para pensar. Em Copa do Mundo, isso costuma ser fatal.
Contra a Noruega, ficou ainda mais evidente. O Brasil tinha talento, tinha camisa, tinha jogadores capazes de decidir, mas não tinha imposição. Faltou agressividade sem a bola, faltou compactação, faltou fome. A Seleção parecia esperar que o peso da camisa resolvesse o jogo sozinho. Não resolveu.
Outro erro foi a insistência emocional em Neymar. Levar um jogador sob dúvidas físicas, saindo de lesão e longe da melhor condição, foi uma aposta arriscada demais para uma Copa. Neymar é gigante na história da Seleção, ninguém discute isso. Mas uma Copa não pode ser construída em cima de gratidão, memória afetiva ou tentativa de último ato heroico. Quando ele entrou, com o jogo ainda zerado, o Brasil não melhorou. Pelo contrário, perdeu dinâmica, perdeu intensidade e ficou mais previsível.
A derrota também escancarou um problema mais profundo. A Seleção Brasileira de hoje tem bons jogadores, mas parece não ter espírito coletivo. Falta liderança em campo, falta indignação, falta aquele incômodo de quem entende o tamanho da camisa que veste. O Brasil caiu não apenas porque enfrentou uma Noruega eficiente. Caiu porque jogou como um time comum.
No meio do fracasso, ao menos dois nomes merecem registro positivo, especialmente para a Paraíba: Matheus Cunha e Douglas Santos. Ambos fizeram uma Copa digna, foram bastante elogiados e mostraram entrega, personalidade e compromisso. Em uma Seleção sem brilho coletivo, os paraibanos conseguiram sair com respeito.
A eliminação precisa servir de ruptura. Não dá mais para viver de passado, nem de nome, nem de escudo. O Brasil precisa voltar a jogar com alma, intensidade e identidade. Porque camisa pesa, mas não corre sozinha. E, ontem, mais uma vez, ficou claro que o futebol mundial não se curva mais apenas ao amarelo.
Por: Napoleão Soares








