O paraibano Vital do Rêgo Filho, presidente do Tribunal de Contas da União (TCU), deu uma entrevista de peso à Folha de S.Paulo e colocou no centro do debate nacional uma palavra que deveria ser obrigação permanente no serviço público: controle.
Ao fazer um balanço da atuação da Corte, Vital defendeu uma fiscalização rigorosa sobre as contas públicas e afirmou que o TCU tem o dever constitucional de acompanhar cada centavo da União. Para ele, não basta aprovar ou reprovar contas. É preciso deixar histórico, registrar alertas, apontar ressalvas e construir mecanismos capazes de impedir que o dinheiro público se perca no caminho.
A fala de Vital mostra uma tentativa de colocar o Tribunal em uma nova fase: menos distante do cidadão e mais próximo do rastro real do recurso público.
Na entrevista, o presidente do TCU também comentou o caso envolvendo o Banco Master e o Banco Central. Vital fez questão de delimitar os papéis institucionais. Segundo ele, cabe ao Banco Central exercer a regulação do sistema financeiro, enquanto ao TCU compete fiscalizar a legalidade e a regularidade dos atos praticados pela autoridade monetária.
Ou seja: o Tribunal não pretende substituir o Banco Central, mas também não abre mão de fiscalizar suas decisões quando houver impacto público, questionamentos institucionais ou necessidade de controle externo.
O ponto mais forte da entrevista, porém, foi o anúncio de uma nova ferramenta de acompanhamento das emendas parlamentares. Previsto para julho, o painel promete mostrar o caminho completo do dinheiro: da indicação feita por deputado ou senador até a chegada ao município, passando por contrato, convênio, edital, licitação, empresa vencedora, nota fiscal, pagamento e execução da obra ou serviço.
Na prática, o cidadão poderá acompanhar se a emenda virou escola, estrada, obra, equipamento ou apenas promessa perdida no papel. Também será possível identificar irregularidades, falta de documentação, ausência de nexo entre recurso e execução, problemas em contratos e eventuais falhas na entrega.
Essa é a diferença entre falar em transparência e permitir que a população enxergue o dinheiro andando.
Vital do Rêgo assume, assim, uma posição estratégica em um dos temas mais sensíveis da política brasileira: o controle das emendas parlamentares. Em um país onde bilhões circulam todos os anos por meio de indicações políticas, rastrear origem, destino e execução dos recursos deixou de ser detalhe técnico. Virou necessidade democrática.
Para a Paraíba, a entrevista também carrega simbolismo. Um paraibano no comando do TCU aparece no debate nacional defendendo fiscalização, transparência e responsabilidade com o dinheiro público.
No fim das contas, a mensagem de Vital é direta: recurso público precisa ter caminho, documento, destino e explicação. Porque dinheiro da União não pode desaparecer no labirinto da burocracia nem no silêncio da política.
Por: Napoleão Soares








