O Ministério da Saúde vai paralisar temporariamente a vacinação contra a dengue, de maneira preventiva, com o imunizante do Instituto Butantã. O motivo são 42 casos de reações severas.
O ministro Alexandre Padilha (Saúde) afirmou durante uma coletiva de imprensa, em Brasília, que duas mortes poderiam também estar relacionadas à vacina estão em investigação.
— Muitas vezes na área da saúde a precaução é a melhor medida. Em função disso nós estamos tomando uma decisão hoje, que será comunicada ainda hoje de descontinuar a atual estratégia de uso da vacina no Butantan — afirmou o ministro
O anúncio foi feito com participação de representantes da pasta e da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).
Padilha acrescentou que a vacina foi aplicada em 500 mil pessoas até o momento e que haverá uma reunião com gestores estaduais para apresentar todos os detalhes da medida. Ele orientou as pessoas que tomaram o imunizante nos últimos 21 dias a monitorar se surge algum sintoma.
A vacina foi aplicada em três cidades (duas em São Paulo) e uma no Ceará, em uma região do Tocantins e em profissionais de saúde.
— A gente reforça para as pessoas que elas estão protegidas. Os dados mostram que protege contra os quatro tipos de dengue. E vamos fazer uma menção especial a quem tenha tomado nos últimos 21 dias: ter um acompanhamento especial para identificar se acabam desencadeando ou não algum desses sinais de alerta, ou qualquer reação adversa, para que a gente possa registrar e agir da melhor forma possível — disse o ministro.
Atualmente, a vacina contra a dengue já faz parte do Sistema Único de Saúde (SUS). O imunizante foi incorporado à rede pública no fim de 2023, e a vacinação começou em fevereiro de 2024, inicialmente em municípios considerados prioritários devido à alta incidência da doença e à disponibilidade limitada de doses.
O Brasil foi o primeiro país do mundo a oferecer uma vacina contra a dengue em um sistema público universal de saúde. Desde a incorporação do imunizante, o Ministério da Saúde tem ampliado gradualmente a estratégia de vacinação conforme a disponibilidade de doses.
A dengue é transmitida pela picada da fêmea do mosquito Aedes aegypti e continua sendo uma das principais arboviroses do país. Além da vacinação, autoridades de saúde reforçam que o combate aos criadouros do mosquito permanece como a principal medida de prevenção.
O que diz o Instituto Butantan
O Instituto Butantan informa que, seguindo orientação do Ministério da Saúde e da Anvisa, a vacinação contra a dengue será, de maneira preventiva, temporariamente interrompida para reavaliação da estratégia vacinal.
No momento, profissionais de saúde estavam sendo vacinados. A orientação ocorre em razão de alguns casos de reação adversa detectados, três deles com sinal de gravidade, em um universo de aproximadamente 500 mil vacinados, que podem ou não estar relacionados à vacinação. A medida visa garantir a segurança da população nas próximas etapas da vacinação.
O Instituto Butantan mantém seu compromisso e rigor absolutos com a ciência e a saúde da população e irá seguir trabalhando para apoiar o Ministério da Saúde e a Anvisa, fornecendo todas as informações disponíveis sobre a vacina, realizando novos estudos e acompanhando o trabalho de farmacovigilância dos vacinados. Cabe ressaltar que a vacina teve eficácia global de 79,6% e 89% contra dengue grave em estudo publicado em revista científica internacional. Nos três municípios onde houve vacinação em massa da população – Botucatu (SP), Maranguape (CE) e Nova Lima (MG), o acompanhamento de farmacovigilância se mostrou positivo, sem casos importantes de reação adversa na população.
O Instituto Butantan, como já demonstrado em casos recentes, seguirá trabalhando com o mais absoluto rigor para aprofundar as informações sobre o uso da vacina para que, em se confirmando sua segurança, a vacinação possa ser retomada no início do ano que vem, com toda a tranquilidade para a população atendida pelo SUS. O Instituto Butantan reafirma seu compromisso de entregar produtos seguros e eficazes para enfrentamento de problemas de saúde pública brasileira pelo SUS.
O Globo







