O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) realizou nesta quarta-feira (3) a primeira reunião coletiva com a nova equipe ministerial formada após a reforma promovida em abril e aproveitou o encontro para cobrar alinhamento político e administrativo dos auxiliares. A reunião também marcou a última grande agenda interna antes do início mais intenso da movimentação política visando a campanha pela reeleição em outubro deste ano. Ao todo, 18 ministérios passaram por mudanças de comando em razão do prazo de desincompatibilização exigido para ocupantes de cargos públicos que pretendem disputar eleições.
Durante a abertura do encontro, Lula reforçou a necessidade de acelerar entregas e organizar as ações do governo até o início de julho. “E é importante que a gente apronte tudo até o dia 3 de julho”, afirmou. O presidente também determinou que inaugurações de obras e programas passem obrigatoriamente pelo crivo da Casa Civil. “É muito importante que vocês não inaugurem nada sem passar pela Casa Civil”, declarou, argumentando que o governo precisa acompanhar quem representa oficialmente a União em cada entrega realizada pelo país.
Na sequência, o presidente alertou para a importância da presença institucional do governo federal nos eventos públicos. “Se você não tiver de corpo presente, ninguém de fora vai dizer quem tá fazendo o que nesse país”, afirmou. Lula acrescentou que prefeitos, governadores e outras lideranças locais acabam recebendo o reconhecimento político pelas obras caso a participação federal não seja devidamente destacada. “É importante que vocês se deem conta de que tem que passar pela Casa Civil, porque nós precisamos estar informados do que está acontecendo nesse país”, completou.
O chefe do Executivo também cobrou maior coordenação entre ministérios, Advocacia-Geral da União (AGU) e Casa Civil em ações judiciais. “É importante que a gente não saiba nada pelos jornais, que a gente saiba as coisas pelo compromisso de ser um governo unitário, democrático e progressista”, disse. Segundo Lula, o momento exige unidade da equipe diante da disputa política e de narrativas que, na avaliação do governo, tendem a se intensificar nos próximos meses.
Ao abordar o cenário nacional, Lula afirmou que o país vive um “paradoxo” entre indicadores positivos e a percepção da população sobre os resultados da gestão. “Poucas vezes na história o país conseguiu ter coisas tão positivas a seu favor como nós temos agora”, declarou. O presidente citou o avanço do Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) brasileiro e atribuiu parte desse resultado aos investimentos em educação. “É um motivo de regozijo para todos nós saber que o Brasil atingiu a sua maior performance na questão do IDH”, ressaltou.
A reunião também foi marcada por referências à ofensiva comercial dos Estados Unidos (EUA) contra o Brasil. No Palácio do Planalto, Lula exibiu um slide com a frase “O PIX é do Brasil”, slogan que já havia utilizado em evento realizado na terça-feira (2), em Goiás. O presidente classificou como uma “insensatez” as medidas anunciadas por Washington e voltou a defender diálogo com o governo norte-americano. Lula ainda repetiu críticas ao secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, e afirmou ter decidido participar da próxima Cúpula do G7 após os recentes acontecimentos envolvendo a relação bilateral.
Além da crise comercial com os Estados Unidos, entraram na pauta discussões sobre a proposta que reduz a jornada de trabalho e extingue a escala 6×1, cuja tramitação no Senado deve enfrentar resistência do presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União Brasil–AP). Outro tema sensível é a nova tentativa do governo de aprovar a indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias, para uma vaga no Supremo Tribunal Federal (STF). O nome foi rejeitado pelo Senado Federal em abril, em uma das maiores derrotas políticas do governo no Congresso, mas Lula já sinalizou que pretende reenviar a indicação para nova análise dos parlamentares.
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