A poucos meses do início do calendário junino de 2026, a Paraíba começou a estruturar uma operação inédita para reforçar a segurança sanitária durante as maiores festas populares do estado. Em audiência pública realizada na manhã desta quinta-feira (21), na Assembleia Legislativa da Paraíba, representantes do Procon-PB, da Universidade Estadual da Paraíba (UEPB) e da Fundação Parque Tecnológico da Paraíba discutiram a implementação de tecnologias capazes de identificar a presença de metanol em bebidas destiladas sem a necessidade de abrir as garrafas, além de ações educativas voltadas à proteção do consumidor durante os festejos de São João.
O debate ganhou relevância diante dos recentes casos registrados no país envolvendo bebidas adulteradas contaminadas por metanol — substância tóxica que pode provocar intoxicação severa, cegueira e até morte. A proposta apresentada pelas instituições paraibanas une ciência, fiscalização e educação preventiva para tentar impedir que esse tipo de ocorrência chegue às festas juninas do estado, que movimentam milhares de turistas e grande volume de comercialização de bebidas artesanais e industrializadas.
Autor da audiência, o deputado estadual Chió destacou o caráter pioneiro da iniciativa. “A Paraíba é pioneira no desenvolvimento de uma tecnologia para detectar se as bebidas, sem precisar abrir as garrafas, possuem presença de metanol. Estamos trazendo a UEPB, o Procon e os responsáveis pela tecnologia para que essas instituições atuem juntas nos maiores São João da Paraíba, garantindo saúde e qualidade para quem vai frequentar nossas festas”, afirmou.
Segundo o parlamentar, a intenção é que cidades como Campina Grande, Bananeiras, Patos e Monteiro contem com ações integradas de fiscalização já no próximo ciclo junino. “Os turistas que vêm para a Paraíba precisam ter segurança de que aqui não há metanol nas bebidas. É uma honra ver o estado avançando nessa área, e espero que outros estados possam copiar o que estamos fazendo”, acrescentou.
Bases fixas do Procon
O superintendente do Procon-PB, Félix Araújo, afirmou que a atuação do órgão será ampliada durante os festejos. De acordo com ele, haverá bases fixas do Procon instaladas em pontos estratégicos, incluindo o Parque do Povo, em Campina Grande, além de ações em Patos e Bananeiras, em parceria com os Procons municipais.
“A gente viveu uma experiência terrível com a presença do metanol e é necessário ter um São João livre de metanol. O governador determinou que procurássemos uma forma de proteger o consumidor e o caminho foi buscar a tecnologia que a UEPB já desenvolvia”, explicou. Segundo Félix, os equipamentos serão utilizados tanto em depósitos de armazenamento quanto nas barracas de comercialização. “São cerca de 300 barracas no Parque do Povo e vamos visitar todas várias vezes para manter esse controle. Nós não vamos admitir metanol no São João da Paraíba”, enfatizou.
Além da fiscalização, o projeto prevê campanhas educativas presenciais, distribuição de cartilhas e orientações sobre consumo seguro, publicidade enganosa, direitos do consumidor e canais de denúncia. A proposta também inclui capacitação de estudantes, pesquisadores e agentes do Procon para atuação em campo, além da criação de protocolos de coleta, análise e rastreabilidade das amostras.
Tecnologias desenvolvidas pela UEPB
Representando a reitoria da UEPB, a professora Nádia Oliveira detalhou as duas tecnologias desenvolvidas pela universidade que serão aplicadas nas ações. “Um dos equipamentos utiliza infravermelho e consegue detectar o metanol sem violar o frasco da bebida. O outro é um teste químico simples, em que a presença do metanol é identificada pela mudança de cor”, explicou.
De acordo com a pesquisadora, os métodos apresentam taxa de acerto entre 95% e 98%. Ela destacou ainda que a simples divulgação da fiscalização já funciona como mecanismo preventivo. “Quando os órgãos anunciam que existe uma tecnologia científica comprovada e que haverá fiscalização, isso também serve de alerta para distribuidores e comerciantes. A gente acredita que será um reforço importante para evitar irregularidades”, afirmou.
A iniciativa também está alinhada aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da Organização das Nações Unidas, especialmente os relacionados à saúde e bem-estar, inovação e consumo responsável. Mais do que ampliar a fiscalização, o projeto busca transformar ciência e tecnologia em ferramentas permanentes de proteção da população durante um dos períodos mais simbólicos da cultura paraibana.
Assessoria









