No último domingo, 29 de março, Itapororoca viveu um daqueles momentos que ultrapassam a simples passagem de uma data no calendário. O ex-prefeito Adamastor Madruga celebrou seus 82 anos cercado pelo carinho da família, de amigos e de pessoas que reconhecem, na sua trajetória, um capítulo decisivo da história política do município.
A comemoração aconteceu em casa, em clima familiar, reunindo filhos, netos, bisnetos, a sobrinha e vereadora Neuza, além de nomes que fizeram e fazem parte da caminhada do ex-gestor. Entre os presentes, um registro carregado de simbolismo: a presença do ex-prefeito Celso, que em eleições passadas esteve em campo oposto ao de Adamastor, mas que nunca rompeu os laços de amizade e respeito mútuo construídos ao longo dos anos. Um gesto que diz muito sobre a grandeza da política quando ela sabe separar disputa de convivência, palanque de humanidade.
Hoje enfrentando o Alzheimer, Adamastor carrega no olhar e na história as marcas de uma vida pública intensa, firme e profundamente ligada às raízes de Itapororoca. Três vezes eleito prefeito, emedebista histórico, homem de partido, homem de posição, ele jamais precisou trocar de legenda para manter viva sua identidade política. Foi daqueles personagens raros que não apenas passaram pela política, mas ajudaram a moldá-la, influenciando seu tempo e deixando uma herança que ainda ecoa nas ruas, nas conversas e na memória do povo.
Adamastor sempre foi mais do que um político. Foi também homem do campo, agricultor, plantador de cana-de-açúcar, maranhista histórico, amigo leal do saudoso Ronaldo Cunha Lima e uma figura humana de presença forte, daquelas que marcaram uma geração inteira. Entre erros e acertos, como acontece com todo homem público, construiu uma trajetória em que os acertos falaram mais alto e o legado se impôs sobre o tempo.
Quem conheceu Adamastor de perto sabe que sua história não cabe apenas nos mandatos que exerceu. Ela está também no estilo firme, no jeito de liderar, na capacidade de formar grupos, de inspirar aliados e de se manter relevante mesmo longe das disputas. Muitos em Itapororoca ainda têm a convicção de que, se a saúde lhe permitisse estar em plena forma, ele continuaria militando, dialogando e participando ativamente dos bastidores e dos rumos da política local.
A celebração deste domingo teve ainda um forte componente afetivo, especialmente na relação com a filha Luciana Madruga, apontada por muitos como um dos grandes amores de sua vida e braço direito nos tempos em que esteve à frente da gestão municipal. A imagem dos dois, que acompanha esta homenagem, traduz com sensibilidade aquilo que palavras muitas vezes não conseguem alcançar por inteiro: o amor entre pai e filha, o vínculo de confiança, a presença constante e a força de uma história construída também dentro de casa.

Em nome do Blog Chico Soares, referência na cobertura política da Paraíba e com raízes fincadas no Vale do Mamanguape, esta não é apenas uma matéria sobre um aniversário. É um reconhecimento público a um homem que ajudou a escrever a história de Itapororoca com presença, liderança e identidade. Alguém que permanece vivo na lembrança coletiva de sua gente, não apenas pelo cargo que ocupou, mas pela marca que deixou.
Adamastor Madruga é desses nomes que o tempo não apaga.
Porque há personagens que passam pela política. E há outros que viram parte definitiva dela. Adamastor, sem dúvida, pertence a esse segundo grupo.
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Por: Napoleão Soares







