Ainda dá tempo. Essa é a frase mais repetida por aliados sempre que surgem críticas à gestão da prefeita Lucinha da Saúde em Mari. O problema é que, até aqui, o governo não conseguiu mostrar a que veio. Em poucos meses, a administração já acumula problemas administrativos, fragilidade política e sinais claros de desorganização interna, projetando desde já um cenário preocupante para as eleições de 2028.
Os problemas começam pelo básico. Salários de contratados estão atrasados, fornecedores reclamam de pagamentos em aberto e a gestão demonstra dificuldade em organizar a própria máquina administrativa. Não se trata de oposição fazendo barulho, mas de reclamações que circulam dentro do próprio governo e entre pessoas que apostaram na vitória da prefeita.
Na Câmara Municipal, o quadro é igualmente delicado. Lucinha governa em minoria, sem uma base política sólida que lhe dê tranquilidade para aprovar projetos ou sustentar decisões mais sensíveis. A falta de articulação política enfraquece o Executivo e amplia a percepção de um governo improvisado, que reage mais aos problemas do que antecipa soluções.
No campo político, os erros vieram cedo. Lucinha da Saúde foi eleita em 2024 com o apoio decisivo do então prefeito Antônio Gomes, repetindo uma aliança construída ainda em 2020. Menos de um mês após assumir o mandato, porém, rompeu politicamente com quem foi peça central da sua vitória. Nos bastidores, o movimento é tratado de forma direta: uma traição política precoce, que isolou a prefeita e abriu uma crise desnecessária logo no início do governo.
A confusão se estende à articulação eleitoral. A prefeita prometeu apoio a diferentes deputados estaduais, criando expectativas em vários grupos, mas acabou fechando posição em favor de Wilson Filho. A decisão desagradou aliados, gerou ruídos internos e reforçou a imagem de incoerência política. Em cidades pequenas, esse tipo de movimento cobra um preço alto e rápido.
A instabilidade interna ficou ainda mais evidente com a saída de Marcos Sales da Coordenação de Comunicação da Prefeitura. Marcos não foi um nome qualquer. Chegou como reforço estratégico, justamente para reorganizar a narrativa do governo em meio a críticas e desgaste. Quando alguém chamado para administrar crises decide deixar o cargo, o recado é claro: o problema não está apenas na comunicação, mas na própria condução do governo.
A gestão já era criticada pela dificuldade de dialogar com a população, explicar ações e responder com agilidade aos problemas. Com a saída de quem estava à frente dessa missão, a sensação de desorganização se aprofunda. Para o eleitor comum, a mensagem é simples e dura: nem quem estava dentro, com acesso ao dia a dia da Prefeitura, enxergou condições de seguir defendendo a gestão.
Esse episódio se soma a uma sequência de pedidos de demissão dentro do governo, reforçando a percepção de um núcleo político instável, marcado por tensões e reacomodações constantes. A Prefeitura parece viver em permanente crise interna, sem conseguir formar um comando coeso.
Nos bastidores, uma narrativa ganha cada vez mais força. Segundo fontes, quem realmente manda na Prefeitura não é a prefeita, mas o genro, Acássio Barra, conhecido entre os íntimos como Zé. A ele é atribuída influência direta nas principais decisões políticas e administrativas, o que alimenta a imagem de um governo informal, personalista e pouco transparente. Quando essa percepção se consolida, o desgaste institucional é inevitável.
Nada disso significa que o jogo está encerrado. Ainda há tempo para corrigir rumos, reorganizar a gestão, reconstruir pontes políticas e apresentar resultados concretos à população. Mas o relógio corre. Do jeito que está, a gestão Lucinha da Saúde já envia sinais claros para 2028: um governo que começou sem rumo, acumulou crises cedo demais e corre o risco de se tornar mais um alerta político do que um projeto de continuidade.
Ignorar esses sinais ou tratá-los como normalidade de início de mandato é apostar contra a realidade. E, em política, a realidade sempre cobra a conta.
Por: Napoleão Soares









