O que aconteceu
Lula já confirmou presença. Segundo interlocutores do Planalto, ele ficou “lisonjeado” com a proposta e chegou a ser sondado para participar do desfile, mas negou.
Estreante, a escola vai abrir o primeiro dia do Grupo Especial. O enredo “Do alto do Mulungu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil” foi anunciado no ano passado, depois que a escola subiu da Série Ouro. Um clipe com o samba enredo e imagens de campanhas antigas do presidente foi lançado pelo PT neste mês.
O presidente terá dois camarotes reservados no sambódromo. O principal deles já é voltado às autoridades. Ele estará acompanhado da primeira-dama Janja da Silva e do prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes (PSD), seu candidato ao governo do estado nas eleições, além de ministros e aliados, como a deputada Benedita da Silva (PT-RJ), pré-candidata ao Senado.
A segurança será reforçada para o dia. Como em qualquer evento público em que o presidente aparece, a Polícia Federal faz uma varredura prévia e coordena toda a segurança enquanto Lula estiver no local.
Não está prevista fala ou qualquer participação. Aliados avaliam que, caso o presidente, que disputará a reeleição em outubro, discursasse, poderia ser acusado de fazer propaganda eleitoral antecipada por adversários.
Dinheiro público no Carnaval
O Ministério da Cultura e a Embratur assinaram um termo de cooperação técnica que prevê R$ 12 milhões às 12 agremiações do Grupo Especial. Ou seja, R$ 1 milhão para cada uma. Além dessa verba, a escola que homenageia Lula também vai receber subvenção das prefeituras do Rio de Janeiro e de Niterói.
Repasse virou motivo de questionamento na PGR (Procuradoria-Geral da República). O deputado federal Sanderson (PL-RS) entrou ontem com pedido de investigação por propaganda eleitoral antecipada.
O deputado ressalta a posição do Tribunal de Contas da União. Os técnicos da instituição recomendaram a suspensão do repasse federal. A sugestão precisa ser chancelada pelo relator do caso, ministro Arnoldo Cedraz.
Atriz representará Marisa Letícia na avenida. No último dia 21, a Acadêmicos de Niterói informou que Juliana Baroni dará vida durante o desfile da escola à ex-mulher de Lula, que morreu em 2017. Nos últimos anos, Baroni dirigiu os documentários “Vai pra Cuba, Eduardo” e “Vai pra Argentina, Caraj*”.
Ensaio técnico na Sapucaí foi marcado por manifestações políticas. Na sexta, vários componentes da escola faziam a letra L com as mãos, numa alusão a Lula. Além disso, um telão exibiu imagens críticas à anistia aos envolvidos na trama golpista e de Jair Bolsonaro (PL) e uma tornozeleira eletrônica juntos.
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