A possível candidatura de Ronaldo Fenômeno à presidência da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) já desperta debates apaixonados. O ídolo da Seleção, cuja carreira brilhou intensamente nos anos 1990 e 2000, carrega consigo uma aura de credibilidade e entusiasmo que pode resgatar algo que há muito se perdeu: a conexão entre o povo brasileiro e sua seleção nacional.
Sob a gestão de Ednaldo Rodrigues, a CBF passou por importantes avanços administrativos. Ednaldo conseguiu afastar a entidade dos escândalos de corrupção que marcaram gestões como as de Ricardo Teixeira e José Maria Marin, reorganizou campeonatos e reforçou as premiações esportivas. Os frutos desse trabalho são evidentes no domínio recente dos clubes brasileiros na Copa Libertadores, que têm reafirmado a força do futebol nacional no cenário continental.
No entanto, há uma desconexão emocional que essas melhorias estruturais não conseguiram curar. A Seleção Brasileira, que já foi sinônimo de alegria e identidade nacional, vive hoje um momento de desinteresse generalizado. O jejum de títulos importantes, aliado a atuações pífias contra adversários medianos, tem contribuído para esse desânimo. Para piorar, a camisa da Seleção, antes uma representação unânime do orgulho nacional, tornou-se um símbolo associado a divisões políticas, um fardo do qual o esporte precisa urgentemente se desvencilhar.
Nos anos 1990 e 2000, a relação do brasileiro com a Seleção era visceral. Amistosos contra equipes irrelevantes mobilizavam torcidas de Norte a Sul. Hoje, muitos sequer sabem quando o Brasil entra em campo, e as transmissões que antes paravam o país agora passam quase despercebidas. Ronaldo, com sua imagem vitoriosa e carismática, pode ser a peça-chave para trazer de volta essa paixão.
Sua proposta de incluir ex-jogadores na gestão da CBF é um movimento que reforça a identificação com a história do futebol brasileiro. Quem melhor para repaginar a Seleção do que alguém que entende a essência de sua glória? Ronaldo também tem o potencial de reestruturar a CBF, dando-lhe uma cara mais transparente, moderna e conectada com os torcedores.
Entretanto, o desafio não será pequeno. Apesar de Ronaldo ser uma figura quase incontestável dentro das quatro linhas, o mundo político e administrativo do futebol é repleto de interesses conflitantes e barreiras históricas. Além disso, ele precisará mostrar que não é apenas um ídolo, mas também um gestor capaz de lidar com questões complexas como financiamento, governança e o equilíbrio de poder entre federações estaduais e clubes.
A candidatura de Ronaldo Fenômeno pode representar uma virada de página na história do futebol brasileiro. A oportunidade de reconectar a Seleção ao coração do povo é real, mas exigirá mais do que carisma e fama. Será necessário um projeto concreto, apoio político sólido e a coragem de enfrentar estruturas há muito cristalizadas. Se Ronaldo conseguir, o Brasil pode voltar a sentir orgulho de sua camisa amarela e, quem sabe, reviver os dias de glória em que o futebol era uma paixão que unia o país.
Por: Napoleão Soares








