Homenageado durante a abertura da Confep 2026, em Campina Grande, o ex-senador e empresário Raimundo Lira voltou ao centro do debate político paraibano com uma fala serena, mas de forte peso simbólico. Ao mesmo tempo em que descartou retorno à vida partidária, Lira deixou claro que já tem uma definição para o Senado: seu voto é em João Azevêdo. A homenagem ocorreu na abertura do evento municipalista promovido pela Famup, no Centro de Convenções de Campina Grande, na noite de 25 de março de 2026.
A declaração chama atenção porque parte de um nome que, mesmo fora das disputas diretas, ainda carrega densidade política, história administrativa e influência nos bastidores. Raimundo Lira até faz questão de reduzir o próprio peso eleitoral, mas sua palavra continua tendo valor num ambiente onde gesto, sinal e silêncio também contam muito.
Na entrevista, Lira foi direto ao afastar qualquer possibilidade de voltar ao jogo como candidato ou integrante de chapa. Disse que não tem pretensão de retornar à política e que sua vida hoje segue por outros caminhos. Esse posicionamento está em linha com o que ele afirmou publicamente na Confep, ao dizer que não pensa em regressar à vida partidária neste momento.
Se para o Senado o ex-senador já fala com clareza, para o Governo da Paraíba ele ainda prefere a cautela. Raimundo Lira reconheceu qualidades nos principais nomes postos no tabuleiro e indicou que ainda está avaliando seu posicionamento entre Cícero Lucena, Efraim Filho e Lucas Ribeiro. Ou seja: numa eleição que começa a afunilar escolhas e alianças, Lira decidiu antecipar apenas parte da senha.
O gesto, porém, já tem leitura política. Ao declarar voto em João Azevêdo para o Senado e manter aberta a porta para a disputa ao Governo, Raimundo Lira sinaliza que quer separar cenários, preservar margem de observação e não entrar de forma precipitada numa polarização que ainda está em construção.
A homenagem recebida em Campina também ajuda a explicar por que sua voz ainda repercute. Durante o evento, sua trajetória foi destacada pela contribuição ao fortalecimento do municipalismo, sobretudo pela atuação em defesa do acréscimo de 1% no FPM, pauta lembrada pelo presidente da Famup, George Coelho.
No fim das contas, Raimundo Lira mandou um recado simples, mas politicamente relevante: para o Senado, já escolheu; para o Governo, ainda observa. E, em política, quando um nome com essa trajetória escolhe falar pouco, quase sempre o pouco que fala já diz muita coisa.

Por: Napoleão Soares








