A pesquisa Anova/PB Agora divulgada nesta quarta-feira (28) cristaliza o retrato mais nítido do momento: Cícero Lucena larga na frente e, hoje, é o nome a ser batido na corrida pelo Governo da Paraíba. No cenário principal, o prefeito de João Pessoa aparece com 33,5%, abrindo vantagem expressiva sobre o vice-governador Lucas Ribeiro (18,3%) e sobre o senador Efraim Filho (14,1%).
Os números mostram que a liderança de Cícero não é um “pico”: ela se repete em todas as simulações testadas. Quando Lucas sai do cenário, Cícero sobe para 37,9%; sem Efraim, vai a 37,0%; e num confronto com Lúcio Flávio chega a 40,8%. Esse desempenho sugere capilaridade, lembrança de nome e presença política, sobretudo em um tabuleiro redesenhado após a confirmação de que Pedro Cunha Lima não disputará.
Mas a mesma pesquisa traz um alerta que impede qualquer leitura de “fatura liquidada”: a eleição ainda está aberta e o motivo tem nome e sobrenome: indecisão. Em todos os cenários, o volume de indecisos segue alto, oscilando entre 25% e mais de 32%, além de um contingente relevante de brancos e nulos. Na espontânea, o dado é ainda mais forte: 37,2% não souberam (ou não quiseram) citar um candidato. Traduzindo: há uma eleição acontecendo, mas uma parte enorme do eleitorado ainda não entrou nela.
Nesse terreno, Lucas e Efraim aparecem como adversários com espaço real para crescimento, dependendo das definições políticas que vêm pela frente. Lucas mantém um patamar consistente e melhora quando Efraim não é testado, chegando a 19,9%, o que indica disputa por um mesmo estoque de eleitores ainda “sem dono”. Já Efraim, mesmo atrás, sustenta um percentual competitivo e sua trajetória pode acelerar ou frear conforme os movimentos partidários e alianças se tornem mais claros nos próximos meses.
Outro ponto central: visibilidade institucional pesa e pesa muito. Cícero lidera também na espontânea, com 25,9%, quase o dobro do segundo colocado. Isso sugere que, hoje, seu nome está mais colado à ideia de Governo do Estado do que os demais. Só que esse capital, para virar vitória, precisa ser convertido em três coisas que decidem eleição: alianças, discurso e interiorização.
Em resumo: Cícero tem favoritismo inicial e margem confortável, mas o cenário ainda depende de definições formais, costuras e da movimentação do eleitor que, por enquanto, não escolheu ninguém. A política paraibana entrou na fase em que pesquisa aponta caminho — mas não entrega destino. E, por isso mesmo, a cautela é a melhor conselheira.
Por: Napoleão Soares










