A nova pesquisa PB Agora/Anova não traz exatamente uma surpresa, mas reforça com mais nitidez o cenário que já vinha sendo desenhado nos bastidores da política paraibana. Hoje existe um líder claro na disputa pelo Governo do Estado, mas ainda não existe uma eleição decidida.
Cícero Lucena segue na frente, com 32,0% das intenções de voto no cenário estimulado. E não é uma liderança pontual. É um desempenho que se repete, que se mantém e que indica um eleitorado já consolidado ao seu redor. Quando um candidato passa meses oscilando pouco e sempre na dianteira, isso costuma significar algo simples: ele já virou referência para uma parcela significativa do eleitorado.
Mas o dado mais interessante da pesquisa não está exatamente no primeiro lugar.
Lucas Ribeiro aparece novamente na segunda posição, com 20,6%, e, mais importante do que isso, começa a ocupar esse espaço com menos contestação. Deixa de ser apenas um nome entre outros e passa a ser, de fato, o principal adversário dentro do campo governista. Já o senador Efraim Filho aparece com 12,6%, ficando mais distante da disputa direta pelo segundo lugar .
Isso é relevante porque eleição majoritária precisa de confronto claro. Precisa de dois polos bem definidos. E esse desenho começa a surgir.
Ainda assim, existe um obstáculo evidente. A distância entre Lucas e Cícero continua considerável, superior a dez pontos percentuais. Crescer é importante, mas, em algum momento, quem está em segundo precisa dar sinais de que pode alcançar o primeiro. Hoje, essa percepção ainda não está consolidada.
Outro ponto que chama atenção é a reorganização do campo. Efraim segue presente, pontuando, mas já não aparece com o mesmo peso na disputa direta pelo segundo lugar. O cenário, aos poucos, vai se organizando em torno de menos nomes competitivos.
Só que existe um fator que impede qualquer conclusão precipitada.
O eleitor.
O volume de indecisos continua alto. No cenário estimulado, são 20,5% dos entrevistados que ainda não sabem em quem votar, além de 12,8% que declaram voto branco ou nulo . Na pesquisa espontânea, esse número é ainda mais expressivo e ultrapassa a metade do eleitorado.
Isso significa que uma parte relevante da população ainda não entrou, de fato, no processo eleitoral. Não escolheu candidato, não formou convicção e, possivelmente, ainda nem começou a acompanhar a disputa com atenção.
E é exatamente aí que mora o risco de qualquer análise apressada.
Porque eleição não se define apenas com quem está na frente hoje, mas com quem consegue crescer quando o eleitor começa a prestar atenção de verdade.
Neste momento, o cenário é claro, mas ainda é inicial. Existe um favorito, existe um adversário em consolidação, mas ainda existe, principalmente, espaço para mudança.
E, em política, quando ainda há espaço, não existe resultado garantido.
Por: Napoleão Soares









