A presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Cármen Lúcia, afirmou nesta terça-feira que o avanço da desinformação e o uso de inteligência artificial estão entre os novos desafios para a segurança das eleições e defendeu que a Justiça Eleitoral atue para identificar manipulações sem ferir a liberdade de expressão. A declaração foi feita na abertura de um seminário da Corte sobre segurança, comunicação e desinformação, em Brasília.
—A desinformação é um dado que todo o mundo olha com cuidado, assim como a inteligência artificial, que muitas vezes passam com falsidade. Temos que garantir que as tecnologias sejam utilizadas de maneira transparente, para saber se foi manipulado e como retirar isso sem ferir a liberdade de expressão. Precisamos investir em medidas preventivas. A dúvida corroi as bases de um processo eleitoral — disse.
Ao tratar do cenário eleitoral, a ministra afirmou que cada pleito traz desafios próprios, mas ponderou que isso não significa instabilidade. Segundo ela, cabe à Justiça Eleitoral preservar a confiança da sociedade no processo.
— Cada eleição propicia uma série de desafios que são novos. E não quero usar esta palavra, desafio, como se fosse um fator de instabilidade. Temos o dever de atuar para garantir a confiança do eleitor nos juízes e juízas eleitorais, nos mesários e mesárias. Temos que garantir a integridade no processo eleitoral e a confiança da sociedade — declarou.
Em seguida, Cármen Lúcia destacou que o sistema eleitoral deve assegurar a liberdade de escolha do eleitor, sem interferências ou abusos.
— Qualquer tipo de restrição do direito ao voto precisa ser devidamente cortado. O que nós temos é que assegurar que as eleições sejam um processo em que cada eleitor possa escolher seu representante sem pressões internas e sem abusos de quem quer que seja — afirmou.
A presidente do TSE também ressaltou o papel de mesários, forças policiais e dos demais profissionais que atuam na organização do pleito, apontando a atuação conjunta dessas estruturas como parte da garantia de segurança das eleições.
A magistrada destacou que o Brasil deixou de ter um sistema influenciado pelo coronelismo, no século XX, para um sistema eletrônico, confiável e auditável.
Carmén Lúcia participou da abertura do Seminário da Justiça Eleitoral sobre Segurança, Comunicação e Desinformação, promovido pelo TSE com foco na preparação das instituições para as eleições gerais de 2026. O encontro reúne técnicos da Justiça Eleitoral e representantes de órgãos de investigação e controle para discutir riscos ao processo eleitoral, proteção das estruturas da Corte e estratégias de enfrentamento à desinformação.
O evento integra uma agenda mais ampla do tribunal voltada ao reforço dos mecanismos de proteção ao sistema eleitoral em um ambiente ainda marcado pela circulação de conteúdos enganosos sobre as urnas e sobre a atuação da Justiça Eleitoral. A iniciativa se conecta ao Programa Permanente de Enfrentamento à Desinformação, criado em 2021, que reúne parcerias com entidades públicas e privadas, agências de checagem, universidades, partidos e plataformas digitais.
O Globo










